Espírito Geográfico

Qualquer que seja o tipo de lugar, devemos ter sempre presente a sua posição no tempo, bem como sua localização no espaço. Um lugar não pode ser compreendido meramente pela observação da interação das forças da atualidade. Conhecer o legado do passado e sentir a presença da transformação, são qualidades essenciais ao espírito geográfico

terça-feira, 3 de março de 2009

Resgatar o capitalismo dos capitalistas e de sua ideologia falsária


David Harvey em entrevista para a revista "Carta Maior"




Link para o site oficial da entrevista http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15691



A perspectiva de uma fragmentação da economia global em estruturas hegemônicas regionais, lutando entre si, deveria despertar os dirigentes políticos, levá-los a deixar de dizer banalidades sobre restaurar a confiança e a fazer o que precisa ser feito para resgatar o capitalismo dos capitalistas e de sua falsária ideologia neoliberal. E sim, isso significa socialismo, nacionalizações, diretrizes estatais robustas, força de colaborações internacionais e uma nova arquitetura financeira internacional. A análise é de David Harvey.

Não há muitas vantagens em ver a crise atual como uma erupção superficial gerada por derivas tectônicas profundas no dispositivo espaço-temporal do desenvolvimento capitalista. As placas tectônicas agora estão acelerando seu deslocamento, e quase com toda segurança a probabilidade de que crises do tipo da atual, que vem ocorrendo mais ou menos desde 1980 se incrementará, tornando-se mais frequentes e mais violentas. O modo, a forma, a espacialidade e o momento dessas erupções superficiais tornaram praticamente impossíveis de prever, mas se pode afirmar quase com certeza que vão se repetir com frequência e profundidade crescentes. Desse modo, há que se situar os acontecimentos de 2008 no contexto de uma agenda de maior densidade. Que essas tensões sejam internas à dinâmica capitalista (sem excluir acontecimentos danosos aparentemente externos, como uma pandemia catastrófica), é o melhor argumento, segundo disse Marx, “para que o capitalismo desapareça e se abra caminho para algum modo de produção alternativo e mais racional”. Começo com essa conclusão porque permanece me parecendo vital, para não dizer dramático, como venho dizendo durante anos em meus trabalhos, que a incapacidade para entender a dinâmica geográfica do capitalismo – ou ainda a consideração da dimensão geográfica como algo em certo sentido contingente ou epifenomênico – importa tanto como perder o fio condutor que permite compreender o desenvolvimento geográfico desigual do capitalismo e perder de vista possibilidades de construção de alternativas radicais. Mas isso levanta uma dificuldade aguda que se acrescenta à análise, porque a tarefa de visar a inferir princípios universais com respeito ao papel da produção de espaços, deslocamentos e contextos ambientais na dinâmica do capitalismo a partir de um oceano de particularidades geográficas, amiúde voláteis, nos enfrenta constantemente. Sendo assim, é o caso de perguntar “como integrar a inteligência dos dados geográficos em nossas teorias da mudança evolutiva? Observemos mais detidamente as derivas tectônicas. Como será o mundo em 2025?Em novembro de 2008, pouco depois da eleição de um novo presidente, o Conselho de Inteligência Nacional dos EUA (NCIS, na sua sigla em inglês) publicou suas estimativas délficas sobre como seria o mundo em 2025. E pela primeira vez um organismo norte-americano quase oficial preveria que em 2025 os EUA, ainda que mantivesse seu papel de ator poderoso, senão de mais poderoso da política mundial, já não seria a potência dominante. O mundo seria multipolar e menos monocêntrico, e o poder dos atores não-estatais cresceria. O informe admitia que a hegemonia dos EUA tinha tido suas idas e vindas no passado, mas agora seu predomínio econômico, político e até militar está se desvanecendo de maneira sistemática. Sobretudo (e vale a pena notar que o informe já estava pronto antes da implosão dos sistemas financeiro norte-americano e britânico), “a deriva sem precedentes que, no que concerne à riqueza e ao poder econômico relativo, observamos agora em direção Oeste-Leste seguirá seu curso”.Essa “deriva sem precedentes” inverteu a drenagem de riqueza que fluía inveteradamente do leste, do sudeste e sul da Ásia até a Europa e a América do Norte: uma drenagem que começou no século XVIII – e, desde que se chegou a perceber, lamenta-o o próprio Adam Smith em seu "A Riqueza das Nações" -, mas que se acelerou implacavelmente durante o século XIX. O auge do Japão na década de 60 do século XX, seguido da Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong nos 70, e logo o rápido crescimento da China depois de 1980 (acompanhado, ato contínuo, do surgimento da industrialização na Indonésia, na Índia, no Vietnã, na Tailândia e na Malásia), alteraram o centro de gravidade do desenvolvimento capitalista, ainda que não sem incidentes (a crise financeira do leste e sudeste asiáticos em 1997-98 viu, rápida mas não abundantemente, mais uma vez fluir a riqueza até Wall Street e aos bancos europeus e japoneses). O deslocamento espacial da hegemonia econômicaA hegemonia econômica parece estar deslocando-se em direção a uma constelação de potências no leste asiático, e se as crises, como se tem argumentado, são momentos de reconfiguração radical do desenvolvimento capitalista, então o fato de que os EUA estejam em vias de financiar com enormes déficits a saída de suas dificuldades financeiras e o fato de que os déficits estejam sendo em grande medida cobertos por todos os países com excedentes poupados – Japão, China, Coréia do Sul, Taiwan e os Estados do Golfo – sugerem que estamos às portas de uma deriva desse tipo. Já ocorreram derivas dessa natureza na grande história do capitalismo. Na conscienciosa revisão que Giovani Arrighi faz dessa deriva no seu livro "O Longo Século XX" podemos ver como a hegemonia se desloca desde as cidades-estado de Gênova e Veneza no século XVI a Amsterdã e Países Baixos no XVII, para concentrar-se na Grã Bretanha a partir do século XVIII, antes de que os EUA tomassem o controle depois de 1945. Arrighi destaca vários traços comuns a todas essas transições pertinentes a nossa análise. Cada deriva, observa Arrighi, deu-se na esteira de uma rotunda fase de financeirização (cita aqui com aprovação a máxima do historiador Braudel, segundo a qual a financeirização anuncia o outono de alguma configuração hegemônica). Mas cada deriva traz também consigo uma mudança radical de escala, desde as pequenas cidades-estado iniciais até a economia de proporções continentais dos EUA na segunda metade do século XX. Essa mudança de escala adquire sentido, tendo em conta a regra diretriz capitalista da acumulação sem trégua e do crescimento composto de ao menos um sempiterno 3%.Porém, as derivas econômicas, sustenta Arrighi, não estão determinadas na partida. Dependem da aparição de alguma potência economicamente capaz e política e militarmente disposta a desempenhar o papel de hegemon global (com as vantagens e desvantagens que isso traz consigo). A renúncia dos EUA em assumir esse papel antes da Segunda Guerra Mundial significou um interregno de tensões multipolares que propiciou a deriva bélica (a Grã Bretanha já não estava em condições de afirmar seu anterior papel hegemônico). Muito depende também de como se comporte o antigo hegemon frente à diminuição de seu papel tradicional. Pode passar à história ou de maneira pacífica ou beligerante. Visto assim, mesmo se os EUA seguem mantendo um poder militar avassalador (particularmente, no espaço exterior) num contexto de declive de seu poder econômico e financeiro e de crescente míngua de sua autoridade moral e cultural criam-se cenários inquietantes para qualquer transição vindoura. Ademais, não é óbvio que o principal candidato a substituir os EUA, a China, tenha capacidade para ou vontade de afiançar-se em algum papel hegemônico, pois, ainda que sua população seja já bastante grande para arcar com os requisitos da mudança de escala, nem sua economia nem sua autoridade política (nem sequer vontade política) apontam para uma ascensão fácil ao papel de hegemon global. Dadas as divisões nacionalistas existentes, a idéia de que alguma associação entre as potências do leste asiático poderia cumprir a tarefa torna-se fartamente improvável. E o mesmo ocorre no caso de uma União Européia fragmentada e fraturada ou nas chamadas potências do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Razão pela qual resulta plausível a predição de que estamos diante de um novo interregno multipolar de interesses encontrados e em conflito. Derivas TectônicasPorém, a deriva tectônica que está deixando o predomínio e a hegemonia norte-americana dos últimos anos para trás é cada vez mais visível. A tese de uma excessiva financeirização somada à tese da “dívida como principal sinal da hegemonia de uma potência mundial” encontrou um eco popular nos escritos de Kevin Phillips. As tentativas agora em curso de reconstruir o predomínio dos EUA mediante reformas na arquitetura do vínculo entre as finanças nacionais e globais parece que não está funcionando. Ao mesmo tempo, as exclusões impostas às tentativas da maior parte do resto do mundo de reconfigurar essa arquitetura provocarão com quase total segurança fortes tensões, quando não conflitos econômicos abertos. Porém, derivas tectônicas desse tipo não se produzem magicamente. Ainda que a geografia histórica de uma deriva de hegemonia, segundo a descreve Arrighi, manifeste uma clara pauta, e ainda que a história tenha deixado claro que essas derivas vêm sempre precedidas de períodos de financeirização, Arrighi não oferece uma análise profunda dos processos geradores dessas derivas. É verdade que menciona a “acumulação sem trégua”, e por conseguinte, a síndrome do crescimento (a regra de 3% do crescimento composto) como elementos críticos explicativos da deriva. Isso implica que a hegemonia se desloca com o curso do tempo, de entidades políticas pequenas (isto é, Veneza) a outras maiores (por exemplo, os EUA). Também argüi que a hegemonia tem que radicar naquela entidade política que produz o grosso do excedente (ou para a qual flui o grosso do excedente em forma de tributos ou exações imperialistas). De um produto global em torno de 45 trilhões de dólares em 2005, os EUA participam com 15 trilhões, o que o converte, por assim dizer, no principal acionista que domina e controla o capitalismo global, com capacidade para ditar (como é o caso de fazer em seu papel de acionista em chefe nas instituições internacionais como o Banco Mundial e o FMI) as políticas globais. O informe do NCIS baseia parte de suas previsões na perda do predomínio paralela à manutenção de uma posição robusta na minguante participação no produto global dos EUA em relação ao resto do mundo, em geral e a China, em particular.Contudo, como o próprio Arrighi assinala, o curso político dessa deriva está muito longe de ser claro. A aposta dos EUA pela hegemonia global sob Woodrow Wilson durante e imediatamente depois da Primeira Guerra Mundial viu-se obstaculizada pelas preferências isolacionistas prevalecentes na tradição política nacional norte-americana (daí o colapso da Liga das Nações), e só depois da Segunda Guerra Mundial (na qual a população norte-americana não queria entrar, até que ocorreu Pearl Harbour) os EUA se liberou ao seu papel de hegemon global mediante uma política exterior bipartidarista, ancorada nos Acordos de Bretton Woods, que estabeleceram a forma de organizar a ordem internacional do pós-guerra (frente à Guerra Fria e à ameaça que um comunismo internacional em plena onda de propagação representava para o capitalismo). Que os EUA vinham se desenvolvendo inveteradamente como um estado capaz em princípio de cumprir um papel de hegemon global tornou-se evidente desde os primeiros dias de sua caminhada como nação. Estavam preparados com as doutrinas oportunas, como a do “Destino Manifesto” (expansão geográfica em escala continental, eventualmente até o Pacífico e o Caribe, antes de tornar-se global, sem necessidade de conquistas territoriais) ou a Doutrina Monroe, que exigia das potências européias que deixassem em paz as Américas (a doutrina foi na realidade formulada pelo ministro britânico do exterior, Canning, na década de 20 do século XIX, e foi quase imediatamente seguida pelos EUA). Os EUA possuíam o dinamismo necessário para aspirar a uma crescente participação no produto global, e estiveram visceralmente comprometidos com uma ou outra versão do que se pode qualificar de maneira mais feliz como “mercado encurralado” ou capitalismo “monopólico”, sustentado por uma ideologia apologética do individualismo mais descarnado. De modo, pois, que há um sentido no qual se pode dizer que os EUA vinham se preparando, durante a maior parte de sua história, para o papel de hegemon global. A única coisa surpreendente nisso é o tempo que levou para cumprir esse projeto, e que foi a Segunda Guerra, não a Primeira, a ocasião que os levou finalmente a jogar esse papel, permitindo que os anos do entre-guerras fossem tempos de multipolaridade e competição caótica entre ambições imperiais, como as que agora teme vislumbrar o informe do NCIS para 2025. As derivas tectônicas agora em curso estão, contudo, profundamente influenciadas pela desigualdade geográfica radical nas possibilidades econômicas e políticas de responder à crise atual. Permitam-me ilustrar o modo como hoje se opera essa desigualdade pela via de um exemplo bastante plástico.À medida que a crise iniciada em 2007 foi se aprofundando, muitos tomaram o partido de uma solução plenamente keynesiana como a única capaz de tirar o capitalismo global do desastre em que está agora metido. Com este objetivo, propuseram-se uma variedade de pacotes de estímulos e medidas de estabilização bancária. Muitas dessas propostas foram até certo ponto postas em prática em vários países e de maneiras diferentes, na esperança de fazer frente às dificuldades crescentes. O espectro de soluções oferecidas variava imensamente segundo as circunstâncias econômicas e os perfis imperantes na opinião pública (colocando, por exemplo, a Alemanha frente a França e a Grã Bretanha na União Européia).Mas pensemos, por exemplo, nas distintas possibilidades econômico-políticas abertas aos EUA e para a China e nas conseqüências potenciais tanto para a deriva da hegemonia como para o modo possível de resolver a crise. China, EUA e as soluções keynesianasNos EUA, qualquer tentativa de falar de uma solução keynesiana adequada tem sido condenada na partida, levantando-se barreiras econômicas e políticas praticamente impossíveis de derrubar. Para funcionar, uma solução keynesiana precisaria de financiamento massivo e duradouro, com déficit. Tem-se dito com razão que o intento de Roosevelt de regressar a um orçamento equilibrado em 1837-38 é o que voltou a afundar os EUA na depressão e que foi a Segunda Guerra que salvou a situação, e não o temerário projeto rooseveltiano de financiamento com déficit que foi o New Deal. Assim, pois, mesmo que as reformas institucionais e umas políticas mais igualitárias tenham posto os fundamentos da recuperação que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, o New Deal como tal fracassou a ponto de resolver a crise nos EUA. O problema para os EUA em 2008-09 é que parte de uma posição de endividamento crônico com o resto do mundo (vem tomando empréstimos a um ritmo de mais de 2 milhões de dólares por dia nos últimos dez ou mais anos), e isso significa uma limitação econômica para as dimensões do déficit extra que agora pode permitir-se. (O que não foi um problema sério para Roosevelt, que começou com um orçamento limitado). Há também uma limitação geopolítica, posto que o financiamento de qualquer déficit extra depende da disposição de outras potências (principalmente do leste asiático e dos Estados do Golfo) em emprestar. Tendo em conta ambas as limitações, há que se tomar por certo que o estímulo econômico factível nos EUA não será nem o bastante amplo nem o bastante duradouro para subvencionar a tarefa de reabilitar a economia. Este problema é exacerbado pela relutância ideológica de ambos os partidos em aceitar os enormes montantes de gasto deficitário requeridos para sair da crise.Ironicamente, e ao menos em parte, porque a administração republicana anterior trabalhou de acordo com o princípio de Dick Cheney, segundo o qual “Reagan nos ensinou que os déficits não importam”. Como disse Paul Krugman, o primeiro advogado público de uma solução keynesiana desse contexto, os 800 bilhões de dólares votados com dentes arreganhados pelo Congresso em 2009, ainda que sejam melhores do que nada, estão muito longe de serem suficientes. Seria preciso uma cifra da ordem dos 2 trilhões de dólares, uma quantidade excessiva dado o nível atual do déficit estadunidense. A única opção econômica possível seria mudar o débil keynesianismo dos gastos militares excessivos por um keynesianismo muito mais forte, voltado a programas sociais. Cortar pela metade o orçamento de defesa norte-americano (aproximando-o dos níveis europeus em termos percentuais ao PIB) poderia resultar tecnicamente útil. É o caso de dizê-lo: quem quer que proponha coisa semelhante cometerá suicídio político, dada a posição política mantida pelo Partido Republicano e por muitos democratas. A segunda barreira a ser derrubada é mais puramente política. Para funcionar, o estímulo tem de ser administrado de tal forma que se assegure seu gasto em bens e em serviços para que a economia recupere alegria. Isso significa que há que dirigir todas as ajudas a quem efetivamente delas fará uso e gastará recursos, quer dizer, as classes sociais mais humildes, porque as classes médias, postas a gastar algo, o mais provável é que o façam puxando a alça de valores de ativos (comprando casas hipotecadas que são executadas em leilões, por exemplo), e não comprando mais bens e serviços. Em todo caso, nos maus tempos muita gente tende a usar as receitas extraordinárias inopinadamente recebidos para cancelar dívidas ou para poupar (como ocorreu em muito boa medida com o reembolso de 600 dólares propiciado pela administração Bush no começo do verão de 2008).O que parece prudente e racional desde o ponto de vista do orçamento doméstico se torna danoso para o conjunto da economia. (Analogamente: os bancos tem procedido racionalmente ao servirem-se do dinheiro público recebido para enriquecerem ou para comprar ativos, antes que para emprestá-los). A hostilidade preponderante nos EUA a “disseminar a riqueza” e a gestionar qualquer ajuda pública que não sejam os cortes fiscais aos indivíduos vem do núcleo duro da doutrina ideológica neoliberal (focalizada, mas de modo algum confinada no Partido Republicano), segundo a qual “os lares sabem mais”. Essas doutrinas chegaram a gozar de ampla aceitação nos EUA, como se se tratasse de um evangelho, durante trinta anos de doutrinamento político neoliberal. Segundo se arguiu em outra ocasião, “agora, somos todos neoliberais”, no mais das vezes sem sabê-lo. Há uma aceitação tácita, por exemplo, de que a “repressão salarial” - um componente chave do atual problema – é um “estado normal” das coisas nos EUA. Uma das três patas de uma solução keynesiana – maior capacidade de negociação dos trabalhadores, salários em alta e redistribuição favorável para as classes baixas – é atualmente impossível do ponto de vista político nos EUA. A pura sugestão de que um programa assim equivalha a “socialismo” faz o establishment político tremer. Os trabalhadores organizados não são suficientemente fortes (depois de serem durante trinta anos massacrados pelas forças políticas), e não se vê nenhum outro movimento social amplo o bastante para pressionar por uma redistribuição a favor das classes trabalhadoras. Outro modo de alcançar objetivos keynesianos é o fornecimento de bens coletivos. Isso, tradicionalmente, tem implicado investimentos em infraestrutura física e social (os programas WPA [Works Progress Adminstration] dos anos 30 do século passado foram um precedente). Disso se segue a tentativa de incluir nos pacotes de estímulo programas para reconstruir e ampliar infraestruturas públicas de transporte e comunicações, energia e outras obras públicas em paralelo a um incremento do gasto em atenção sanitária, educação, serviços municipais, etc. Esses bens coletivos têm potencial para gerar multiplicadores tanto no emprego como na demanda efetiva de bens e serviços. Mas o que se presume é que esses bens entrariam, em dado momento, na categoria de “gastos públicos produtivos” (quer dizer, que estimulam um crescimento ulterior), não que se convertam numa série de “elefantes brancos” públicos que, como observou Keynes em seus dias, carecem de outra utilidade que não aquela de fazer as pessoas cavarem buracos para fechá-los logo em seguida.Em outras palavras, uma estratégia de investimentos em infraestrutura tem de orientar-se para a sistemática recuperação do crescimento de 3% através do metódico redesenho de nossa infraestrutura e dos nossos modos de vida urbanos. Isso não pode funcionar sem uma planificação estatal refinada, aliada a uma base produtiva já existente que possa aproveitar-se das novas infraestruturas. Também aqui, o processo dilatado de desindustrialização experimentado pelos EUA nas últimas décadas, assim como a intensa oposição ideológica à planificação estatal (elementos esses incorporados por Roosevelt ao New Deal, e que persistiram até os anos 60, para serem abandonados quando do assalto neoliberal dos 80 a esse particular exercício de poder do Estado) e a óbvia preferência pelos cortes fiscais frente às transformações públicas das infraestruturas, torna impossível nos EUA a operação de uma solução permanente. Na China, por outro lado, dão-se realmente tanto as condições políticas como as econômicas para uma solução plenamente keynesiana, e há ali signos transbordantes de que essa será provavelmente a via a ser seguida. Para começar, a China possui uma grande reserva de excedente estrangeiro em dinheiro e isso torna mais fácil o financiamento da dívida partindo dessa base do que de um dos gastos da dívida já acumulada, como no caso dos EUA. Vale à pena notar também que desde meados dos 90 os “ativos tóxicos” (os empréstimos que não funcionam) dos bancos chineses – (algumas estimativas os situam nos 40% de todos os empréstimos em 2000) desapareceram da contabilidade bancária a mercê dos investimentos ocasionais de excedente em dinheiro procedente das reservas do comércio exterior.Os chineses tiveram em funcionamento durante muito tempo o equivalente a um programa TARP [o programa norte-americano de resgate bancário posto em prática nos últimos meses de 2008], e evidentemente sabem como manejá-lo (ainda que muitas das transações tenham a marca da corrupção). Os chineses têm suficiente capacidade econômica para embarcarem num programa massivo de financiamento com déficit e dispõem de uma arquitetura financeira estatal centralizada apta, se lhe propuserem, a administrar esse programa com eficácia. Os bancos, durante muito tempo de propriedade estatal, que foram privatizados para atender às exigências da OMC (Organização Mundial do Comércio) podem vir a atrair capital e perícia estrangeiros, mas podem todavia serem facilmente submetidos à vontade do estado central, enquanto que nos EUA mesmo o mais longínquo signo de diretriz estatal, para não falar de nacionalização, dá motivo a todos os tipos de furores políticos. Analogamente, não há ali [China] a menor barreira ideológica para uma generosa redistribuição de recursos a favor dos setores mais necessitados da sociedade, ainda que possa haver necessidade de vencer os encouraçados interesses dos membros mais ricos do partido e de uma incipiente classe capitalista. A imputação segundo a qual isso seria tanto como o “socialismo”, ou inclusive até pior, o “comunismo”, apenas despertaria sorrisos divertidos na China. Mas a reaparição na China do desemprego em massa (de acordo com os últimos informes, a desaceleração dos últimos meses já teria gerado já 20 milhões de desempregados), assim como os indícios de um mal-estar social prolongado e aceleradamente crescente, forçarão seguramente o Partido Comunista chinês a empreender massivas redistribuições, estejam ou não ideologicamente convencidos da sua justiça.No começo de 2009, essa política redistributiva parece primeiramente destinada às regiões rurais atrasadas, para onde regressaram os trabalhadores emigrantes que perderam seus empregos, frustrados com a constatação da escassez de postos de trabalho nas zonas manufatureiras. Nessas regiões, nas que faltam infraestrutura social e física, um investimento robusto de recursos por parte do governo central contribuirá para aumentar as receitas, para expandir a demanda efetiva e para dar o tiro de saída do longo processo de consolidação do mercado interno chinês. Em segundo lugar, há um forte desejo de investir massivamente em infraestrutura que ainda falta na China. - Em troca, os cortes fiscais só tem ali atrativos políticos – e ainda que seja possível que alguns desses investimentos terminem sendo “elefantes brancos”, a probabilidade de que seja assim ali é farta mas baixa, dada a imensa quantidade de trabalho de que se necessita para integrar o espaço nacional chinês e, assim, enfrentar-se o problema do desenvolvimento geográfico desigual entre as regiões costeiras de alto desenvolvimento e as províncias empobrecidas do interior.A existência de uma larga – ainda que problemática – base industrial e manufatureira necessitada de racionalização espacial torna mais provável que o esforço chinês entre na categoria do gasto público produtivo. No caso chinês boa parte do excedente pode ser canalizado até a produção futura de espaço, e isso mesmo admitindo que a especulação nos mercados imobiliários urbanos em cidades como Xangai, ou mesmo nos EUA, é parte do problema e não pode, por conseguinte, converter-se em parte da solução. Os gastos em infraestrutura, sempre que sejam feitos numa escala suficientemente grande, são de grande alento e servem tanto para canalizar o trabalho excedente como para reduzir as possibilidades de distúrbios sociais, contribuindo também, ademais, para impulsionar o comércio interno. Implicações internacionaisEssas possibilidades completamente distintas que os EUA e a China têm de propiciarem uma solução plenamente keynesiana guardam profundas implicações internacionais. Se a China emprega mais recursos procedentes de suas reservas financeiras para impulsionar seu mercado interno, como com quase total segurança vai se ver forçada a fazer por razões políticas, deixará menos recursos disponíveis para possíveis empréstimos aos EUA. O descenso das compras de bônus do tesouro estadunidense terminará por forçar uns tipos de interesses mais altos, o que incidirá negativamente na demanda interna norte-americana, a qual, por sua vez e a menos que haja uma gestão meticulosa, poderia disparar o que todo mundo teme e que até agora conseguiu evitar: uma derrubada do dólar.Uma desvinculação paulatina dos mercados norte-americanos e a sua progressiva substituição pelo próprio mercado interno como fonte de demanda efetiva da indústria chinesa alterariam significativamente os equilíbrios de poder (um processo que, diga-se de passagem, estaria carregado de tensões, tanto para a China como para os EUA). A divisa chinesa se robustecerá necessariamente frente ao dólar (uma situação tão largamente pretendida como temida pelas autoridades norte-americanas), o que obrigará aos chineses a se basearem mais em seu mercado interno para a demanda agregada. O dinamismo que disso resultaria no interior da China (contrastável com as condições de recessão duradoura que prevalecerão nos EUA) atrairá mais produções de matérias primas à órbita comercial chinesa e corroerá a importância relativa dos EUA no comércio internacional. O efeito global de tudo isso será a aceleração do deslocamento da riqueza, do oeste para o leste, na economia mundial e a rápida alteração dos equilíbrios de poder econômico hegemônico. O movimento tectônico que operará o equilíbrio do poder capitalista global intensificará todo tipo de ramificações econômicas e políticas imprevisíveis num mundo em que os EUA deixarão de estar numa posição dominante, mesmo que sigam mantendo um poder importante. A suprema ironia, deve-se dizê-lo, é que as barreiras políticas e ideológicas postas nos EUA a qualquer programa plenamente keynesiano contribuirão seguramente para acelerar a derrubada do poder americano nos assuntos globais, apesar de que as elites de todo o mundo (inclusive as chinesas) preferissem preservar esse domínio o maior tempo possível. Que um genuíno keynesianismo seja ou não suficiente para que a China (junto a outros estados em posição similar) consiga compensar o fracasso inevitável do keynesianismo reticente ocidental é questão em todo caso aberta. Mas essas diferenças, somadas ao eclipse da hegemonia norte-americana, bem poderiam ser o prelúdio de uma fragmentação da economia global em estruturas hegemônicas regionais que poderiam terminar lutando tanto entre si com tanta facilidade como colaborando na questão miserável de dirimir quem tem de arcar com os estragos da depressão duradoura.Esta não é uma idéia exatamente alentadora, mas ter em mente a possibilidade de uma perspectiva desse tipo poderia talvez contribuir para despertar boa parte do mundo ocidental para a apercepção da urgência da tarefa que tem diante de si; que seus dirigentes políticos deixem de dizer banalidades sobre restaurar a confiança se ponham a fazer o que há a ser feito para resgatar o capitalismo dos capitalistas e de sua falsária ideologia neoliberal. E sim, isso significa socialismo, nacionalizações, diretrizes estatais robustas, força de colaborações internacionais e uma nova e farta, mas inclusiva (“democrática”, se posso ousar a dizê-lo assim) arquitetura financeira internacional, pois que assim seja...David Harvey é geógrafo, sociólogo urbano e historiador social marxista. É professor da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY) e autor de vários livros e artigos, dentre os quais se destaca "A Produção Capitalista do Espaço", publicado no Brasil pela Annablume Editora. Vem dando seminários sobre O Capital, de Karl Marx, há 40 anos.
Mantém esta página
http://www.davidharvey.org/

Tradução: Katarina Peixoto

Quem descobriu o Brasil primeiro ?


Galera, como diria Tia Maria de Lourdes suahsuahusahus a



Só pra vcs verem o link e construirem seu prórprio pensamento sobre as grandes navegações e o eurocentrismo.



abraço , ainvestigação continua












domingo, 25 de janeiro de 2009

Racismo um caso a se pensar ou a se estudar ?

Consciencia racial - racismo as avessas?






Hoje é manhã de carnaval (ao esplendor)

As escolas vão desfilar (bravosamente)

E aquela gente de corCom a imponência de um reiVai pisar na passarela (salve a portela)

Vamos esquecer os desenganos (que passamos)

E ver alegria que sonhamos (durante o ano)

E damos o nosso coraçãoAlegria e amor a todos sem distinção de corMas depois da ilusão, coitado!

Negro volta ao humilde barracão

Negro acorda é hora de acordar

Não negue a raça

Torne toda manhã dia de graça

Negro não humilhe nem se humilhe à ninguém

Todas as raças já foram escravas também

E deixe de ser rei só na folia

E faça de sua Maria uma rainha de todos os dias

E cante samba na universidade

E verá que seu filho será Príncipe de verdade

Aí então, jamais tu voltarás ao barracão






































terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Gabriel O pensador - Até Quando

Troca de tom:
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2(E)

Não adianta olhar pro céu, com muita fé e pouca luta.

Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer

e muita greve, você pode, você deve, pode crer.

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.

Se liga aí que te botaram numa cruz e

Só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer.
(E G D A)
Até quando você vai ficar usando rédea?

Rindo da própria tragédia?

Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).

Até quando você vai levar cascudo mudo?

Muda, muda essa postura.

Até quando você vai ficando mudo?

Muda que o medo é um modo de fazer censura.
REFRãO 2x
(E G D A)

Até quando você vai levando?_(Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(E G D A)

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente,
seu filho sem escola, seu velho ta sem dente.
Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante,
você ta sem emprego e a sua filha ta gestante.
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo,
você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!
REFRãO 2x
(E G D A)

Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(EE G D A)

Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(E G D A)

A polícia só existe pra manter você na lei,
lei do silêncio, lei do mais fraco:
ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.
A programação existe pra manter você na frente,
na frente da TV, que é pra te entreter, que é
pra você não ver que o porgramado é você.

E

Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.
G
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.
B
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar.
D
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.
E
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.
G
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.
B
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
D
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.
E G
Escola, esmola! Favela, cadeia!
D
Sem terra, enterra!
A
Sem renda, se renda! Não! Não!!
REFRãO 2x
(E G D A)

Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(E G D A)

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?

E
G
D
A
B

A corrente socialista da pedagogia MARX e GRAMSCI

Galera esse é um resumo da proposta socialista da educação, com enfoque em Marx e Gramsci, esse resumo se tornara um artigo com 4 páginas para o grupo de estudos.








A corrente de pensamento pedagógico socialista formou-se no meio do movimento popular pela democratização do ensino, e tem como principal característica a oposição à educação burguesa através da igualdade educacional e a crítica das relações sociais. A proposta da educação socialista perpassa por vários autores, mas nesse estudo destacaremos dois autores que, antes de tratarem à educação tratam de política e economia, e acreditam que a educação corresponda aos interesses político-economicos da ideologia dominante, ou seja, a ideologia do capital, da burguesia, que são Karl Marx e Antonio Gramisci.

Características da educação socialista por Marx, descritas soltas e várias obras.

1. Eliminação do trabalho da criança na fabrica

2. Associação da educação com a produção material

3. formação politécnica, onde agrupa-se o físico, o mental e a técnica, dessa forma o trabalho aparece com sentido antropológico educacional de vital importância para a formação de um individuo como um cidadão responsável.

4. Inseparabilidade da educação e da política, e por tanto da articulação entre trabalho, estudo e lazer.

Marx trás ainda 3 concepções sobre a educação:

1. Educação intelectual

2. Educação corporal

3. Educação tecnológica

Vemos essas características descritas na frase de Lênin sobre a educação pública e apolítica. “ nosso trabalho no terreno do ensino é a mesma luta para derrotar a burguesia, declaramos publicamente que, a escola á margem da vida, à margem da política, é falsidade e hipocrisia.”
Ainda a proposta socialista prevê uma escola totalmente democrática, onde a figura do professor apareceria como conselheiro, perante a estrutura educacional, os problemas seriam resolvidos a partir de conselhos realizados com os alunos, assim como decisões para a escola. A corrente acredita ainda na formação de um novo intelectual, baseado na relação trabalho-técnica-ciência a partir de uma concepção histórico humanista, com a valorização do trabalho no sentido coletivo, ainda leva-se em conta uma educação ligada a liberdade e a ruptura com alienação, num processo vagaroso onde a classe operária suprimiria a concepção das outras classes e para isso a escola teria que estar aliada ao sindicato.
A educação socialista vai além do descrito acima, pois propõe a ruptura com o mestre como educador autoritário, o estar na sala de aula e ainda a realidade como instrumento de aprendizagem e não as matérias especialistas, acreditando na generalidade como aspecto para melhor formação do individuo coletivo.
Gramsci não diverge de Marx em suas idéias relacionadas a educação, acredita fielmente que a educação é a junção de três segmentos principais, a educação mental, a educação profissional e a educação corporal, dessa forma o sujeito estaria pronto para conviver me sociedade, pautado na solidariedade e no trabalho, no apreço ao ser humano, ao coletivo. Ele acredita ainda na universalização do ensino, assim como na extinção das escolas particulares, e na igualdade educacional, ou seja, na igualdade de oportunidades.
Diferente de Marx Gramsci acredita que a mudança cultural, educacional ocorreria primeiro antes da revolução do proletariado, já Marx acredita que o processo deve ocorrer em conjunto.





Abraço galera espero que esse resumo tenha aberto um pouco a mente de vocês para a proposta socialista de ensino, continuaremos publicando resumos sobre cada escola pedagógica numa série de uma semana de publicações para estudos preparatórios para consursos públicos para cursos de lisensiatura plena em Geografia.




fiquem com Deus!!!!!! e estudem !!!!!!!!











terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Geraldo Vandré - Pra não Dizer que não falei das flores

Galera letra de Geraldo Vandré
Nasceu em João Pessoa (PB) em 12 de setembro de 1935, é um cantor e compositor brasileiro que ficou conhecido em 1966 no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, por ter cantado a música abaixo.

"Pra não dizer que não falei da flores"


Int.: Am G Am G Am
Caminhando e cantando e seguindo a canção
G Am
Somos todos iguais braços dados ou não
G Am
Nas escolas nas ruas, campos, construções
G Am
Caminhando e cantando e seguindo a canção
G Am
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
G Am
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
G Am
Pelos campos há fome em grandes plantações
G Am
Pelas ruas marchando indecisos cordões
G Am
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
G Am
E acreditam nas flores vencendo o canhão
...
G Am
Há soldados armados, amados ou não
G Am
Quase todos perdidos de armas na mão
G Am
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
G Am
De morrer pela pátria e viver sem razão
...
G Am
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
G Am
Somos todos soldados, armados ou não
G Am
Caminhando e cantando e seguindo a canção
G Am
Somos todos iguais braços dados ou não
...
G Am
Os amores na mente, as flores no chão
G Am
A certeza na frente, a história na mão
G Am
Caminhando e cantando e seguindo a canção
G Am
Aprendendo e ensinando uma nova lição


O clipe da música pode ser visto no seguinte link

http://www.youtube.com/watch?v=D_cQz6IElgc


ta ai galera um dos maiores gênios da música popular brasileira destacado no blogue, mas informações sobre Geral Vandré no site



http://www.mpbnet.com.br/musicos/geraldo.vandre/


abraço espero que curtam

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Tipos de Solo do Brasil e Região Centro-Oeste



Tipos de solo do Brasil








Programa de Zoneamento Ecológico-Econômico

O que é ?


È a identificação e o conhecimento dos espaços geográficos, ou zonas ou regiões, e aparece segundo a constituição Federal, como o principal instrumento para a ocupação racional dos espaços.

O Z.E.E tem por objetivo o aproveitamento ou redirecionamento das atividades antrópicas, para se alcançar o desenvolvimento sustentável.
O Z.E.E aparece como a melhor forma de gerir o espaço geográfico, com o intuito de melhorar a qualidade de vida, implementando medidas corretivas ou preventivas, visando sempre manter o equilíbrio entre economia e ecologia




Premissas básicas para elaboração do Z.E.E

Manter manejos para o equilíbrio e a sustentabilidade.
Motar uma investigação para diagnosticar ofertas ecológicas e suas limitações.
Elaborar projeções para prováveis mudanças no ambiente.
Prever recuperação da área degradada e redirecionamentos na atividade ali produzida.
Promover a auto-sustentabilidade do local.
Distinção de espaços para melhor uso das matérias-primas.
Promover o bem-estar e o desenvolvimento social da população local.
A metodologia aplicada, terá seu desenvolvimento de acordo com o diagnóstico aferido no estudo.

Escopo do Z.E.E

Fase – diagnósticos ambientais do estado
Fase – Zoneamento ecológico-econômico
Fase – Elaboração do programa de Z.E.E

Primeira fase

• Síntese do conhecimento físico
• Síntese do Conhecimento biológico
• Síntese do Conhecimento antrópico
• Síntese da Dinâmica socioeconômica
• Definições e ordenamento de espaços geoeconômicos
• Definição de limites
• Elaboração de macrozoneamento do estado

Objetivos do ZEE

OBJETIVOS - Promover e coordenar estudos e ações para a realização de zoneamento ecológico – econômico, com base nas vocações locacionais e que proporcionem meios para racionalizar a ocupação e a apropriação dos recursos naturais.


Os estudos visam definir:

Zonas e subzonas enter-regionais com base em estudos multidisciplinares que indiquem a condição adequada dos espaços ao desenvolvimento econômico de acordo com a sustentação ecológica e social.
As diretrizes do zoneamento

Definir a caracterização nacional de zonas e subzonas intra-regionais com base principalmente na potencialidade e limitação dos recursos naturais, inclusive hídricos.

Analisar a ocupação dos espaços geo- econômicos quanto à garantia da sustentação ecológica, econômica e social.

Estabelecer e enunciar as diretrizes de política pública do Estado para utilizar os espaços auto-sustentados.

Implantar sistema de banco de dados georreferenciados com acesso a todos os órgãos das esferas federal, estadual e municipal.

2ª Fase: Zoneamento Ecológico-Econômico

Levantamento de Campo

• Geologia
• Geomorfologia
• Pedologia
• Geografia
• Engenharia florestal
• Agronomia
• Biologia
• Sociologia
• Antropologia
• Cartografia
• Hidrologia
• Comunicação
• Infra-estrutura
• Outras especialidades

Preparação e Elaboração dos Mapas e Cartas Temáticas:

• Geologia e recursos minerais.
• Geomorfologia e de avaliação do relevo.
• Mapa de vegetação.
• Mapa de solos e aptidão agrícola.
• Mapa fitogeomorfológico .
• Mapa de solos e uso potencial da terra.
• Mapa de recursos hídricos.
• Mapa de infra-estrutura regional.

Preparação e Elaboração de Mapas de Ocupação do Solo:

• Mapa de terras e reservas indígenas.
• Mapa de áreas de colonização e de projetos agrossilvopastorais.
• Mapa de áreas de mineração e de garimpo.
• Mapas de áreas de reflorestamento.
• Mapas de áreas ou regiões urbanas.
• Mapas de áreas de reservas, parques, etc.

Elaboração de Mapas de Zoneamento Ecológico-Econômico

• Capacidade natural e o uso potencial dos recursos naturais;
• Delimitação das áreas homogêneas;
• Determinação do tipo e grau de limitações existentes na área;
• Uso atual e potencial da terra;
• Identificação de áreas com estabilidade, áreas de riscos e de potencial de ocupação.

3ª Fase: Elaboração do Programa de Zoneamento Ecológico-Econômico

Identificação e Caracterização do Meio Ambiente e dos Modelos de Exploração e Ocupação

• Elementos naturais mais importantes e suas interações ambientais;
• Levantamento das potencialidades;
• Identificação e caracterização preliminar dos modelos de exploração;
• Levantamento dos impactos ambientais dos modelos de exploração;
• Levantamento preliminar das infra-estruturas e serviços de apoio às atividades econômicas;
• Levantamento das áreas institucionais.

Elaboração de Estudos Retrospectivos da Situação Atual dos Cenários Prospectivos

• Levantamento dos pontos;
• Análise de comportamento pretérito das ações antrópicas versus meio ambiente;
• Previsão e projeção das tendências;
• Previsão de cenários futuros para a área.

Seleção de Modelos Adequados de Exploração
• Análise da viabilidade técnico-econômica;
• Análise da viabilidade ambiental;
• Análise de viabilidade social;
• Concepção do cenário modelo ou informativo;
• Diretrizes de ações públicas;
• Diretrizes para implantação de desenvolvimento sustentável;
• Ordenamento espacial e político;

Elaboração do Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento Sustentáve

• Elaboração do plano diretor preliminar;
• Análise e subsídios da administração do governo do estado;
• Audiência pública e sugestões da comunidade;
• Consolidação do plano diretor estratégico de desenvolvimento sustentável.

Elaboração de Estudos Retrospectivos da Situação Atual dos Cenários Prospectivos

• Levantamento dos pontos;
• Análise de comportamento pretérito das ações antrópicas versus meio ambiente;
• Previsão e projeção das tendências;
• Previsão de cenários futuros para a área.
Elaboração do Plano Diretor Estratégico de Desenvolvimento Sustentável

• Elaboração do plano diretor preliminar;
• Análise e subsídios da administração do governo do estado;
• Audiência pública e sugestões da comunidade;
• Consolidação do plano diretor estratégico de desenvolvimento sustentável.


Metodologia

A base para a consecução dos objetivos do macrozoneamento deverá ser a adoção da metodologia adequada, que reúna o somatório harmônico de cada fase dos trabalhos. Essa metodologia leva em consideração que os componentes físicos e biológicos determinantes de um geossistema devem se complementar, eliminando as diferenças em busca do equilíbrio, em razão de haverem sido analisados e avaliados sob enfoque multidisciplinar.
Os princípios norteadores da metodologia facultam compreender as interdependências e inter – relações estruturais da paisagem, os potenciais de energia e de materiais que ocorrem nos sistemas, caracterizando as necessidades de interagir.
A análise de problemas típicos, como a desertificação, enchentes, êxodo rural, pobreza, carência de irrigação, atividades informais, hábito alimentar, costumes e etc.

Síntese de conhecimento do meio físico: Deve – se levar em cosideração:
Áreas de preservação
Áreas de conservação
Áreas de reservas de recursos
Geomorfologia e Relevo
Hidrografia, Hidrologia e Hidrogeologia
Clima e Climatologia
Pedologia e Solos


Síntese do conhecimento do meio biológico: Deve – se levar em consideração:
Vegetação e Fitogeografia
Fauna
Biodiversidade e Ecossistema

Síntese do conhecimento antropico:
A síntese do meio antrópico deverá conter a quantificação e distribuição demográfica, incluindo – se populações indígenas e as áreas de reserva.
Deve ser considerado também as estruturas e concentrações urbanas, a estrutura fundiária das terras e a estrutura produtiva e de rendas da população.

Síntese da dinâmica sócio – econômica:
A elaboração de retrato fiel da ocupação e uso atual do solo requer um levantamento geral, onde devem ser caracterizadas as áreas urbanas e industriais e sua localização no Estado.
A dinâmica sócio – econômica pode ser caracterizada como uma conseqüência da ocupação e uso do solo, da qual decorrem as dinâmicas setoriais. Esta dinâmica pode ser alterada por ações de políticas de desenvolvimento setoriais que induzam, em maior ou menor grau, mudanças em seus recursos.


Publicado por: Guilherme Behm, Carina Lúcio, André Resende, Vitor Eduador Mattos, Tiago Ramos, Halferson Gomes

Texto de Monitoria para Organização Econômica do Espaço Mundial

Textos para a monitoria de organização economica do espaço mundial

Orientador: Prof.: Eduardo Pimentel Menezes

Monitorando: Guilherme Freitas Hartmut Behm

Keynesianismo é a teoria econômica consolidada pelo economista inglês John Maynard Keynes em seu livro Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (General theory of employment, interest and money) [1] e que consiste numa organização político-econômica, oposta às concepções neoliberalistas, fundamentada na afirmação do Estado como agente indispensável de controle da economia, com objetivo de conduzir a um sistema de pleno emprego. Tais teorias tiveram enorme influência na renovação das teorias clássicas e na reformulação da política de livre mercado.
Atribuiu ao Estado o direito e o dever de conceder benefícios sociais que garantam à população um padrão mínimo de vida como a criação do salário-mínimo, do salário-desemprego, da redução da jornada de trabalho (que então superava 12 horas diárias) e assistência médica gratuíta. O Keynesianismo ficou conhecido também como "Estado de Bem-Estar Social", ou "Estado Escandinavo" tendo sido originalmente adotado pelas políticas econômicas inauguradas por Roosevelt com o New Deal, que respaldaram, no início da década de 1930, a intervenção do Estado na Economia com o objetivo de tentar reverter uma depressão e uma crise social que ficou conhecida como a crise de 1929 e, quase simultaneamente, por Hjalmar Horace Greeley Schacht [2] [3] na Alemanha nazista. Cerca de 3 anos mais tarde, em 1936, essas políticas econômicas foram teorizadas e racionalizadas por Keynes em sua obra clássica Teoria geral do emprego, do juro e da moeda

Taylorismo ou Administração científica é o modelo de administração desenvolvido pelo engenheiro estadunidense Frederick Winslow Taylor (1856-1915), que é considerado o pai da administração científica.
Primeiros estudos essenciais desenvolvidos por Taylor
Em relação ao desenvolvimento de pessoal e seus resultados: acreditava que, oferecendo instruções sistemáticas e adequadas aos trabalhadores, ou seja, treinando-os, haveria possibilidade de fazê-los produzir mais e com melhor qualidade.
Em relação ao planejamento a atuação dos processos: achava que todo e qualquer trabalho necessita, preliminarmente, de um estudo para que seja determinada uma metodologia própria, visando sempre o seu máximo desenvolvimento.
Em relação a produtividade e à participação dos recursos humanos: estabelecia a co-participação entre o capital e o trabalho, cujo resultado refletirá em menores custos, salários mais elevados e, principalmente, em aumentos de níveis de produtividade.
Em relação ao autocontrole das atividades desenvolvidas e às normas procedimentais: introduziu o controle com o objetivo de que o trabalho seja executado de acordo com uma seqüência e um tempo pré-programados, de modo a não haver desperdício operacional. Inseriu, também, a supervisão funcional, estabelecendo que todas as fases de um trabalho devem ser acompanhadas de modo a verificar se as operações estão sendo desenvolvidas em conformidades com as instruções programadas. Finalmente, apontou que estas instruções programadas devem, sistematicamente, ser transmitidas a todos os empregados.

Metodologia do estudo

Taylor iniciou o seu estudo observando o trabalho dos operários. Sua teoria seguiu um caminho de baixo para cima, e das partes para o todo; dando ênfase na tarefa. Para ele a administração tinha que ser tratada como ciência. Desta forma ele buscava ter um maior rendimento do serviço do operariado da época,o qual era desqualificado e tratado com desleixo pelas empresas. Não havia, à época, interesse em qualificar o trabalhador, diante de um enorme e supostamente inesgotável "exército industrial de reserva". O estudo de "tempos e movimentos" mostrou que um "exército" industrial desqualificado significava baixa produtividade e lucros decrescentes, forçando as empresas a contratarem mais operários.
Organização Racional do Trabalho
Análise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos: objetivava a isenção de movimentos inúteis, para que o operário executasse de forma mais simples e rápida a sua função, estabelecendo um tempo médio.
Estudo da fadiga humana: a fadiga predispõe o trabalhador à diminuição da produtividade e perda de qualidade, acidentes, doenças e aumento da rotatividade de pessoal.
Divisão do trabalho e especialização do operário
Desenho de cargos e tarefas: desenhar cargos é especificar o conteúdo de tarefas de uma função, como executar e as relações com os demais cargos existentes.
Incentivos salariais e prêmios por produtividade
Condições de trabalho: O conforto do operário e o ambiente fisico ganham valor, não porque as pessoas merecessem, mas porque são essenciais para o ganho de produtividade
Padronização: aplicação de métodos científicos para obter a uniformidade e reduzir os custos
Supervisão funcional: os operários são supervisionados por supervisores especializados, e não por uma autoridade centralizada.
Homem econômico: o homem é motivável por recompensas salariais, econômicas e materiais.
A empresa era vista como um sistema fechado, isto é, os indivíduos não recebiam influências externas. O sistema fechado é mecânico, previsível e determinístico. Porém, a empresa é um sistema que movimenta-se conforme as condições internas e externas, portanto, um sistema aberto e diálético.

Princípios da Administração Científica

Taylor pretendia definir princípios científicos para a administração das empresas. Tinha por objetivo resolver os problemas que resultam das relações entre os operários, como consequência modificam-se as relações humanas dentro da empresa, o bom operário não discute as ordens, nem as instruções, faz o que lhe mandam fazer. A gerência planeja e o operário apenas executa as ordens e tarefas que lhe são determinadas.
Os quatro princípios fundamentais da administração Científica são:
Princípio do planejamento
Princípio da preparação dos trabalhadores
Princípio do controle
Princípio da execução
Fordismo Idealizado pelo empresário estadunidense Henry Ford (1863-1947), fundador da Ford Motor Company, o Fordismo é um modelo de Produção em massa que revolucionou a indústria automobilística na primeira metade do século XX. Ford utilizou à risca os princípios de padronização e simplificação de Frederick Taylor e desenvolveu outras técnicas avancadas para a época. Suas fábricas eram totalmente verticalizadas. Ele possuia desde a fábrica de vidros, a plantação de seringueiras, até a siderúrgica.
Ford criou o mercado de massa para os automóveis. Sua obsessão foi atingida: tornar o automóvel tão barato que todos poderiam comprá-lo.
Uma das principais características do Fordismo foi o aperfeiçoamento da linha de montagem. Os veículos eram montados em esteiras rolantes que movimentavam-se enquanto o operário ficava praticamente parado, realizando uma pequena etapa da produção. Desta forma não era necessária quase nenhuma qualificação dos trabalhadores.
O método de produção fordista exigia vultuosos investimentos e grandes instalações, mas permitiu que Ford produzisse mais de 2 milhões de carros por ano, durante a década de 1920. O veículo pioneiro de Ford no processo de produção fordista foi o mítico Ford Modelo T, mais conhecido no Brasil como "Ford Bigode".
O Fordismo teve seu ápice no período posterior à Segunda Guerra Mundial, nas décadas de 1950 e 1960, que ficaram conhecidas na história do capitalismo como Os Anos Dourados. Entretanto, a rigidez deste modelo de gestão industrial foi a causa do seu declínio. Ficou famosa a frase de Ford, que dizia que poderiam ser produzidos automóveis de qualquer cor, desde que fossem pretos. O motivo disto era que com a cor preta, a tinta secava mais rápido e os carros poderiam ser montados mais rapidamente.
A partir da década de 70 o Fordismo entra em declínio. A General Motors flexibiliza sua produção e seu modelo de gestão. Lança diversos modelos de veículos, várias cores e adota um sistema de gestão profissionalizado, baseado em colegiados. Com isto a GM ultrapassa a Ford, como a maior montadora do mundo.
Na década de 70, após os choques do petróleo e a entrada de competidores japoneses no mercado automobilístico, o Fordismo e a Produção em massa entram em crise e começam gradativamente a serem substituídos pela Produção enxuta, modelo de produção baseado no Sistema Toyota de Produção.
Em 2007 a Toyota torna-se a maior montadora de veículos do mundo e pôe um ponto final no Fordismo.

O toyotismo é um modo de organização da produção capitalista que se desenvolveu a partir da globalização do capitalismo na década de 1950. Surgiu na fábrica da Toyota no Japão após a II Guerra Mundial, e foi elaborado por Taiichi Ohno mas só a partir da crise capitalista da década de 1970 é que foi caracterizado como filosofia orgânica da produção industrial (modelo japonês), adquirindo uma projeção global.
O Japão foi o berço da automação flexível pois apresentava um cenário diferente do dos Estados Unidos e da Europa: um pequeno mercado consumidor, capital e matéria-prima escassos, e grande disponibilidade de mão-de-obra não-especializada, impossibilitavam a solução taylorista-fordista de produção em massa. A resposta foi o aumento na produtividade na fabricação de pequenas quantidades de numerosos modelos de produtos, voltados para o mercado externo, de modo a gerar divisas tanto para a obtenção de matérias-primas e alimentos, quanto para importar os equipamentos e bens de capital necessários para a sua reconstrução pós-guerra e para o desenvolvimento da própria industrialização. O sistema pode ser teóricamente caracterizado por quatro aspectos:
1. mecanização flexível, uma dinâmica oposta à rígida automação fordista decorrente da inexistência de escalas que viabilizassem a rigidez.
2. processo de multifuncionalização de sua mão-de-obra, uma vez que por se basear na mecanização flexível e na produção para mercados muito segmentados, a mão-de-obra não podia ser especializada em funções únicas e restritas como a fordista. Para atingir esse objetivo os japoneses investiram na educação e qualificação de seu povo e o toyotismo, em lugar de avançar na tradicional divisão do trabalho, seguiu também um caminho inverso, incentivando uma atuação voltada para o enriquecimento do trabalho.
3. Implantação de sistemas de controle de qualidade total, onde através da promoção de palestras de grandes especialistas norte-americanos, difundiu-se um aprimoramento do modelo norte-americano, onde, ao se trabalhar com pequenos lotes e com matérias-primas muito caras, os japoneses de fato buscaram a qualidade total. Se, no sistema fordista de produção em massa, a qualidade era assegurada através de controles amostrais em apenas pontos do processo produtivo, no toyotismo, o controle de qualidade se desenvolve por meio de todos os trabalhadores em todos os pontos do processo produtivo.
4. Sistema just in time que se caracteriza pela minimização dos estoques necessários à produção de um extenso leque de produtos, com um planejamento de produção dinâmico. Como indicado pelo próprio nome, o objetivo final seria produzir um bem no exato momento em que é demandado.
O Japão desenvolveu um elevado padrão de qualidade que permitiu a sua inserção nos lucrativos mercados dos países centrais e, ao buscar a produtividade com a manutenção da flexibilidade, o toyotismo se complementava naturalmente com a automação flexível.
A partir de meados da década de 1970, as empresas toyotistas assumiriam a supremacia produtiva e econômica, principalmente pela sua sistemática produtiva que consistia em produzir bens pequenos, que consumissem pouca energia e matéria-prima, ao contrário do padrão norte-americano. Com o choque do petróleo e a conseqüente queda no padrão de consumo, os países passaram a demandar uma série de produtos que não tinham capacidade, e, a princípio, nem interesse em produzir, o que favoreceu o cenário para as empresas japonesas toyotistas. A razão para esse fato é que devido à crise, o aumento da produtividade, embora continuasse importante, perdeu espaço para fatores tais como a qualidade e a diversidade de produtos para melhor atendimento dos consumidores.

Como foi o dia em que eu nasci pela segunda vez...

Como foi o dia em que eu nasci pela segunda vez...
Era madrugada, dia 19 de outubro de 1987, uma madrugada bonita de noite primaveril, quando lá pelas 3 horas da madrugada, você quis nos conhecer. Saímos de casa, a cidade estava em silêncio, as folhas e flores molhadas pelo orvalho marcavam a vereda de entrada da Policlínica São Gonçalo, apesar de poucas, as flores pra mim se apresentavam numa explosão, pois já sentia tua presença, só me acalmava quando olhava o céu meio encoberto por nuvens quietas, a lua e algumas estrelas filtravam-se qual pingentes brilhantes a espreitar a Terra onde estava para acontecer alguma coisa extraordinária, os céus viam minha ansiedade e alegria, pois sabiam que minha vida ia se duplicar num milagre, que se concretizou num momento de plenitude da vida, próprio do amor e da vontade de Deus.
Assim meu filho, foi a madrugada que você nos avisou da sua chegada! No dia em que nasci pela segunda vez, o sol brilhava mais refletido pelas gotículas de orvalho que forravam a grama, estas brilhavam mais que diamantes de colares que enfeitam o colo de belas mulheres em noites engalanadas. Ao olhar pela janela vi o desabrochar da flor, coberta por gotículas, vi a abelha a procura do pólen em uma flor e me vi junto da tua mãe, mais junto ainda, nos momentos que antecederam a tua vinda, "ouvi" o silêncio que traduziam momentos que antecederam a plenitude do amor, o amor que fortalece, o amor que dignifica o amor permite o florescer dos mistérios mais belos, o momento de entrega dos seres dignificados nas carícias mais ternas, este é prelúdio da criação, na ânsia de se entregarem, prolongando felicidades daqueles que se amando, se gratificaram com um novo ser.
Com a sua vinda, exatamente às 10h30mim, eu retornei a vida. Voltei porque já vinha andando no declive, que a todos leva a findar, e retornei por este desígnio de Deus, poderia dizer que é uma superação do amor por sua mãe que me alcançou plenamente. Sabemos, sua mãe e eu, e você saberá que a vida resume-se numa permanente e contínua batalha para amar, para progredir e para que se possa permanecer unidos, na alegria e tristeza,para tornar a vida melhor para nós e para àqueles com quem convivemos. Filho! A vida é feita de vitórias que nos trazem alegrias e derrotas que nos amargamos e estes momentos da vida nos deixam indeléveis, na memória, nos cabelos e nos olhos que tem seu brilho apagado por lágrimas, de saudades de tanta coisa vivida com amor ou mesmo com angústia, que no meu caso pode ser dito com grande amor e angústia, mas soube no momento da tua vida que agora iria superá-los. Foi este milagre que me fez reviver e voltar a plenitude da vida. Hoje me vejo nas suas estripulias de garoto, o vento, a chuva eu já havia sentido e visto, mas agora o vento sopra e me conta histórias, a chuva não me dá tristeza, mas me parece rir, as flores me são mais bonitas por mais singelas que sejam, quando estes não me lembram os espinhos que têm, mas me mostram a tua alegria, a selva não me amedronta, mas me mostra o teu destemor, o desafio de enfrentar a corrente do rio ou as ondas do mar me trazem a tona desafio da infância feliz que também tive. Mas, tudo isso se deve a tua mãe que com amor preparou o frito que viria nascer. Tudo isso em homenagem a você, a mim e a tua mãe, tabernáculos desse milagre.
Você teve pressa em nos conhecer, focou somente oito meses no aconchego da barriga de tua mãe, sabes Guiga, nós também, tínhamos pressa de te conhecer. Não sabíamos, por opção, se eras menino ou menina, mas eras muito querido e aguardado, acho que nossa ansiedade aliada a tua pressa te fez nascer mais rápido para nossa alegria.
Quando nasci pela segunda vez, momentos iguais já haviam sido vividos por mim, mas não com a mesma intensidade. Lágrimas de alegria desciam pelo meu rosto ao ver desabrochar o meu ser em você e assim se fazia a realidade o milagre do amor.Agora que nasci pela segunda vez, não sou só, mas somos dois. Fico a fitá-lo, você é minha continuidade, caminharás em meu lugar, levando a memória q me fazia tremer, com medo de perdê-la. Isso é a encarnação do meu eu, dádiva miraculosa que enche a alma de fé, nos desígnios que vierem a chegar através deste desdobramento amoroso, transfiguração do meu ser levando minha memória, que um dia se soltará de mim e continuará só com você. Meu filho você é o meu segundo nascer.