Espírito Geográfico

Qualquer que seja o tipo de lugar, devemos ter sempre presente a sua posição no tempo, bem como sua localização no espaço. Um lugar não pode ser compreendido meramente pela observação da interação das forças da atualidade. Conhecer o legado do passado e sentir a presença da transformação, são qualidades essenciais ao espírito geográfico

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Resumo de descrição Biogeográfica da região do Médio Paraíba

Descrição biogeográfica







Como parte do segundo capitulo do trabalho regionalizará, ou seja, dividiremos o território do Médio Paraíba em duas partes; a Região Industrial do Médio Paraíba que é formada pelos municípios de Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro e Volta Redonda. A maior parte do território dessa região corresponde à porção sul do Vale do Médio Paraíba do Sul. Esse rio e seus tributários (afluentes) sofreram profundas mudanças em suas vazões para o abastecimento de água e produção hidroelétrica e ainda, o rio está submetido a ação poluidora das atividades industriais da região.
A outra região conhecida como Região Turístico-cultural do Médio Paraíba é compreendida pelos municípios Paulo de Frontin, Mendes, Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, Rio das Flores, Valença e Vassouras.
No século XIX, os municípios dessa região comandaram a economia da então província do Rio de Janeiro, com a cafeicultura, porem com o fim desta atividade as áreas degradadas se tornou improdutivas transformando-se em pastagens. Atualmente sua economia está apoiada na agropecuária, no turismo rural e cultura, no ecoturismo e os esportes de aventura. A região apresenta ainda os Pólos Universitários de Vassouras e Valença.
A Região Industrial do Médio Paraíba apresenta grande crescimento nos setores siderúrgico, metalúrgico e automotivo, principalmente nos municípios de Volta Redonda, Resende e Porto Real, sendo apoiado pela reestruturação do Porto de Sepetiba, tornando esta região um novo Pólo Industrial Regional.
A Região Turístico-cultural do Médio Paraíba, do ponto de vista biogeográfico, é caracterizado por fragmentos de Mata Atlântica pouco protegidas, ampliando a vulnerabilidade ambiental devido à grande atração e concentração de população para essas regiões.
Esta região está inserida na sub-regionalizacao geomorfológica do Vale do Paraíba, sendo caracterizadas por escarpas e reversos de Serra do Mar, encontradas florestas semi-desiduais e formação fitoecológica. Também podemos observar áreas de florestas ombrófilas densas.
Os remanescentes da mata são protegidos por parques estaduais e reservas biológicas, como a Reserva do Tinguá, da Serra da Concórdia em Valença e de Itatiaia.

Gestão Ambiental Regional : Médio Paraíba


Gestão ambiental Regional: Médio Paraíba


            A região do Médio Paraíba, localizada ao sul do estado do Rio de Janeiro, foi de vital importância para a história do Brasil, uma vez que, foi naquela localidade onde se desenvolveu a cultivo do café, que num dado momento foi o carro chefe da economia do nosso país, por volta do séc. XIX até 1930, quando acontece a primeira crise mundial do capitalismo. O cultivo e uso do café foram e são de vitais importância para o Brasil, pois foi através dele que se financiou o princípio da nossa industrialização, há também que se lembrar a questão cultural, a cotidianidade do café, uma vez que temos duas refeições  com nomes atribuídos a esse vegetal (café da manha e café da tarde). Porém durante o ciclo do café, houve um descaso, ou falta de conhecimento, por parte do governo, da população e, sobretudo dos donos das terras, de uso sustentável da região, e de manejo do solo, essa descaso aliado ao desmatamento para o cultivo geraram problemas ambientais e sociais, que hoje, se agravam, e esse faz necessário uma intervenção para que possa recuperar ambiental e socialmente aquela localidade.
            Nesse sentido, o trabalho visa elucidar os principais problemas ambientais daquela região, sugerir estratégias para recuperação das áreas degradadas, assim como implementar um gestão auto sustentável pós recuperação, como turismo nas fazendas histórias e o ecoturismo nos remanescentes de mata atlântica, tentando promover geração da renda sustentável para a população. Para tanto o trabalho se divide em cinco partes.
            Num primeiro momento a equipe de trabalho pretende resgatar a história local, visando enaltecer os valores históricos culturais e ambientais da região, tentando sensibilizar a população para que criem, ou aumente um vinculo de efetividade, valorizando a própria cultura, assim como, os trabalhos realizados.
            Na segunda parte visamos esclarecer as caracteristicas da biogeográficas e sociais da região do médio Paraíba para então elaborar um zoneamento afim de melhorar o trabalho a ser empregado, tanto no lado social quanto ambiental.
            Na terceira parte, após termos resgatado a história e descrescrito as características sócio-ambientais da localidade, apontaremos os principais problemas ali relacionados, para que possamos elaborar estratégias de resolução da problemática diagnosticada, e fomentar um plano que perpassa pela gestão e o planejamento, tentando implementar um governança democrática, participativa, onde se respeite as carências e limitações da sócio-ambientais e visem ultrapassar essas limitações sem descaracterizar a cultura desenvolvida ali.
            Na quarta parte do trabalho, faremos uso da Educação Ambiental, como complemento a recuperação das áreas degradadas, a fim de manter o trabalho elaborado, sensibilizando a população para causa ambiental, elucidando que os problemas ambientais são frutos de uma desigualdade social, e que uma reflete na outra, e que cabe a comunidade se organizar e fazer valer de seus direitos, perante as ações da esfera pública e privada, explicando que o espaço em que vivemos é um espaço ideologicamente construído, através do trabalho, e que somos nós os produtores do espaço, pois o espaço é justamente a reprodução das relações de produção.
            Na quinta parte a equipe se compromete a elaborar ações de geração de renda auto-sustentável, fazendo uso do ecoturismo e da agricultura familiar de subsistência, num sistema de cooperativa, capacitando a população para tal, fornecendo consultoria, cursos e palestras, num primeiro instante, e treinando alguns moradores para que se mantenha esse programa, de  cursos e palestras.





           

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Amizade e Meio Ambiente Ecologia Social : O caso do "Ação Cerv"

Galera eu e meu grande amigo Skull, esse final de semana na Pedra do Elefante em Itacoatiara tentando capturar fotos para mandarmos para o concurso da National Geographic Channel, e como parte da minha pesquisa para o curso de pós-graduação lato sensu em Gestão Ambiental pelo Instituto A Vez do Mestre, sendo de grande utilidade para minha pesquisa que relaciona as atividades de ecoturismo e educação ambiental formal como a melhor forma de sensibilizar o alunado apartir das experiencias vividas e da utilização de todos os sentidos como forma de captar a informação e transforma-lá em conhecimento e saber, através da aplicação desses conhecimento na comunidade e na escola afim de difundir a importancia de se respeitar e entender o grande emaranhado complexo de interrelações da teia da vida, afim de melhorar a qualidade de vida da população local e formar um cidadão consciente dos seus direitos e deveres. Esse projeto sobretudo é resultado de um conjunto de vários pequenos projetos realizados aos longo do ano pela Professora Especialista Júlia de Biologia e o Professor Mestre José Mauro coordenador do Centro Educacional Raul Veiga e a minha ajuda, sendo composto pelo, DIA INTERNACIONAL DE LIMPEZA DE LITORAIS, CONCURSO VIAGEM DO CONHECIMENTO NATIONAL GEOGRAPHIC, AÇÃO CERV RECICLAGEM, CERV UNIVERSIDADE, CONCURSO NACIONAL DE ASTRONÔMIA, entre outros que ainda acontecerão.




Galera beijooooooooo do Guiga até mais comentem, prometo que assim que a monografia ficar pronta disponibilizo aqui



Ahhhhhhhhhhhhhhhhh

sábado, 8 de agosto de 2009

Urbanismo Sanitarista brasileiro começo do Séc. XX

Galera mais um material do curso de planejamento urbano
prometo que escrevo mais sobre esse tema assim que terminar a pós-graduação
abraço fiquem com Deus e estudem
O urbanismo sanitarista foi de vital importância para o planejamento urbano brasileiro, uma vez que, promoveu mudanças higiênico-sanitárias responsáveis por ajudar a eliminar o grande problema epidemiológico nas grandes cidades brasileiras. O urbanismo sanitarista tem como premissa agir de acordo com os interesses da burguesia da época, remodelando as construções dos centros das cidades com influncia dos estilos europeus, seguindo os ideais republicanos do inicio do séc. XX, rearrumando os espaços das cidades para que fiquem de forma mais ampla e arejada, como o programa “Cidades Jardins”, implantado no bairro das Laranjeiras na cidade do Rio de Janeiro, a seguir como cópia de um plano de urbanismo inglês, dessa forma essa categoria de urbanismo acaba por promover a estratificação social ma vez que cria bairros planejados a preços altíssimos atingindo assim, apenas um pequeno grupo de consumidores.
Bjooooooooooo do Guiga

Diferença entre planejamento e gestão urbana

Bom galera como parte do curso que faço a distância pelo CEDERJ de planejamento urbano resolvi escrever alguma coisa, sobre alguns assuntos relacionados ao tema e apesar de não escrever tudo que quero aqui, resolvi escolher algo relacionado ao tema e vai ai pra vcs, espero conseguir ajudar alguns estudantes do tema com minhas resoluções .
Abraço a todos, por favor comentem, concordem e descordem opinem, todos somos produtores de conhecimento faça, sua parte e ajudem a democotizar essa idéia .
bjooooo do Guiga
Planejamento urbano e Gestão urbana.

Afim de melhor elucidar o estudo do conceito de planejamento urbano, buscamos para nossa discussão, um dos maiores cientistas políticos da história, Nicolau Maquiavel, que diz em seu livro, O Príncipe, “Prever para prover”.
As palavras de Maquiavel exemplificam o verdadeiro sentido do termo “planejamento urbano”, que aparece como método de prever processos futuros, identificar a evolução dos fenômenos urbanos, humanos e/ou naturais, com o objetivo de providenciar implementos para coibir ou mesmo ordenar tais fenômenos. Dessa forma, concluímos que, o planejamento urbano é uma forma de antever e prover insumos para coordenar ações no território desejado.
Já a Gestão urbana diferente do planejamento urbano, aparece como uma resolução dos fenômenos urbanos numa escala de tempo presente, imediata e instantânea, mas isso não quer dizer que, não haja planejamento nas ações de gestão, um exemplo claro é a resolução de conflitos provenientes da acumulação de capital que se manifestam na luta de classes, e a cidade surge como palco principal para tal atuação, de conflitos de vários grupos sociais, que apesar de perdurarem no imaginário de seus atores, sua manifestação apresentasse em dias ou horas, dessa forma o planejamento urbano serviria para prevenir o aparecimento desse conflito, e a gestão atuaria durante o conflito, a fim de restabelecer a ordem vigente.

Galera mais informações sobre cursos a distância da CEDERJ no site:

http://www.cederj.edu.br/extensao/

Tem cursos em várias áreas, vale a pena conferir

mais um beijoooooo do Guiga


sexta-feira, 20 de março de 2009

terça-feira, 3 de março de 2009

Resgatar o capitalismo dos capitalistas e de sua ideologia falsária


David Harvey em entrevista para a revista "Carta Maior"




Link para o site oficial da entrevista http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15691



A perspectiva de uma fragmentação da economia global em estruturas hegemônicas regionais, lutando entre si, deveria despertar os dirigentes políticos, levá-los a deixar de dizer banalidades sobre restaurar a confiança e a fazer o que precisa ser feito para resgatar o capitalismo dos capitalistas e de sua falsária ideologia neoliberal. E sim, isso significa socialismo, nacionalizações, diretrizes estatais robustas, força de colaborações internacionais e uma nova arquitetura financeira internacional. A análise é de David Harvey.

Não há muitas vantagens em ver a crise atual como uma erupção superficial gerada por derivas tectônicas profundas no dispositivo espaço-temporal do desenvolvimento capitalista. As placas tectônicas agora estão acelerando seu deslocamento, e quase com toda segurança a probabilidade de que crises do tipo da atual, que vem ocorrendo mais ou menos desde 1980 se incrementará, tornando-se mais frequentes e mais violentas. O modo, a forma, a espacialidade e o momento dessas erupções superficiais tornaram praticamente impossíveis de prever, mas se pode afirmar quase com certeza que vão se repetir com frequência e profundidade crescentes. Desse modo, há que se situar os acontecimentos de 2008 no contexto de uma agenda de maior densidade. Que essas tensões sejam internas à dinâmica capitalista (sem excluir acontecimentos danosos aparentemente externos, como uma pandemia catastrófica), é o melhor argumento, segundo disse Marx, “para que o capitalismo desapareça e se abra caminho para algum modo de produção alternativo e mais racional”. Começo com essa conclusão porque permanece me parecendo vital, para não dizer dramático, como venho dizendo durante anos em meus trabalhos, que a incapacidade para entender a dinâmica geográfica do capitalismo – ou ainda a consideração da dimensão geográfica como algo em certo sentido contingente ou epifenomênico – importa tanto como perder o fio condutor que permite compreender o desenvolvimento geográfico desigual do capitalismo e perder de vista possibilidades de construção de alternativas radicais. Mas isso levanta uma dificuldade aguda que se acrescenta à análise, porque a tarefa de visar a inferir princípios universais com respeito ao papel da produção de espaços, deslocamentos e contextos ambientais na dinâmica do capitalismo a partir de um oceano de particularidades geográficas, amiúde voláteis, nos enfrenta constantemente. Sendo assim, é o caso de perguntar “como integrar a inteligência dos dados geográficos em nossas teorias da mudança evolutiva? Observemos mais detidamente as derivas tectônicas. Como será o mundo em 2025?Em novembro de 2008, pouco depois da eleição de um novo presidente, o Conselho de Inteligência Nacional dos EUA (NCIS, na sua sigla em inglês) publicou suas estimativas délficas sobre como seria o mundo em 2025. E pela primeira vez um organismo norte-americano quase oficial preveria que em 2025 os EUA, ainda que mantivesse seu papel de ator poderoso, senão de mais poderoso da política mundial, já não seria a potência dominante. O mundo seria multipolar e menos monocêntrico, e o poder dos atores não-estatais cresceria. O informe admitia que a hegemonia dos EUA tinha tido suas idas e vindas no passado, mas agora seu predomínio econômico, político e até militar está se desvanecendo de maneira sistemática. Sobretudo (e vale a pena notar que o informe já estava pronto antes da implosão dos sistemas financeiro norte-americano e britânico), “a deriva sem precedentes que, no que concerne à riqueza e ao poder econômico relativo, observamos agora em direção Oeste-Leste seguirá seu curso”.Essa “deriva sem precedentes” inverteu a drenagem de riqueza que fluía inveteradamente do leste, do sudeste e sul da Ásia até a Europa e a América do Norte: uma drenagem que começou no século XVIII – e, desde que se chegou a perceber, lamenta-o o próprio Adam Smith em seu "A Riqueza das Nações" -, mas que se acelerou implacavelmente durante o século XIX. O auge do Japão na década de 60 do século XX, seguido da Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong nos 70, e logo o rápido crescimento da China depois de 1980 (acompanhado, ato contínuo, do surgimento da industrialização na Indonésia, na Índia, no Vietnã, na Tailândia e na Malásia), alteraram o centro de gravidade do desenvolvimento capitalista, ainda que não sem incidentes (a crise financeira do leste e sudeste asiáticos em 1997-98 viu, rápida mas não abundantemente, mais uma vez fluir a riqueza até Wall Street e aos bancos europeus e japoneses). O deslocamento espacial da hegemonia econômicaA hegemonia econômica parece estar deslocando-se em direção a uma constelação de potências no leste asiático, e se as crises, como se tem argumentado, são momentos de reconfiguração radical do desenvolvimento capitalista, então o fato de que os EUA estejam em vias de financiar com enormes déficits a saída de suas dificuldades financeiras e o fato de que os déficits estejam sendo em grande medida cobertos por todos os países com excedentes poupados – Japão, China, Coréia do Sul, Taiwan e os Estados do Golfo – sugerem que estamos às portas de uma deriva desse tipo. Já ocorreram derivas dessa natureza na grande história do capitalismo. Na conscienciosa revisão que Giovani Arrighi faz dessa deriva no seu livro "O Longo Século XX" podemos ver como a hegemonia se desloca desde as cidades-estado de Gênova e Veneza no século XVI a Amsterdã e Países Baixos no XVII, para concentrar-se na Grã Bretanha a partir do século XVIII, antes de que os EUA tomassem o controle depois de 1945. Arrighi destaca vários traços comuns a todas essas transições pertinentes a nossa análise. Cada deriva, observa Arrighi, deu-se na esteira de uma rotunda fase de financeirização (cita aqui com aprovação a máxima do historiador Braudel, segundo a qual a financeirização anuncia o outono de alguma configuração hegemônica). Mas cada deriva traz também consigo uma mudança radical de escala, desde as pequenas cidades-estado iniciais até a economia de proporções continentais dos EUA na segunda metade do século XX. Essa mudança de escala adquire sentido, tendo em conta a regra diretriz capitalista da acumulação sem trégua e do crescimento composto de ao menos um sempiterno 3%.Porém, as derivas econômicas, sustenta Arrighi, não estão determinadas na partida. Dependem da aparição de alguma potência economicamente capaz e política e militarmente disposta a desempenhar o papel de hegemon global (com as vantagens e desvantagens que isso traz consigo). A renúncia dos EUA em assumir esse papel antes da Segunda Guerra Mundial significou um interregno de tensões multipolares que propiciou a deriva bélica (a Grã Bretanha já não estava em condições de afirmar seu anterior papel hegemônico). Muito depende também de como se comporte o antigo hegemon frente à diminuição de seu papel tradicional. Pode passar à história ou de maneira pacífica ou beligerante. Visto assim, mesmo se os EUA seguem mantendo um poder militar avassalador (particularmente, no espaço exterior) num contexto de declive de seu poder econômico e financeiro e de crescente míngua de sua autoridade moral e cultural criam-se cenários inquietantes para qualquer transição vindoura. Ademais, não é óbvio que o principal candidato a substituir os EUA, a China, tenha capacidade para ou vontade de afiançar-se em algum papel hegemônico, pois, ainda que sua população seja já bastante grande para arcar com os requisitos da mudança de escala, nem sua economia nem sua autoridade política (nem sequer vontade política) apontam para uma ascensão fácil ao papel de hegemon global. Dadas as divisões nacionalistas existentes, a idéia de que alguma associação entre as potências do leste asiático poderia cumprir a tarefa torna-se fartamente improvável. E o mesmo ocorre no caso de uma União Européia fragmentada e fraturada ou nas chamadas potências do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Razão pela qual resulta plausível a predição de que estamos diante de um novo interregno multipolar de interesses encontrados e em conflito. Derivas TectônicasPorém, a deriva tectônica que está deixando o predomínio e a hegemonia norte-americana dos últimos anos para trás é cada vez mais visível. A tese de uma excessiva financeirização somada à tese da “dívida como principal sinal da hegemonia de uma potência mundial” encontrou um eco popular nos escritos de Kevin Phillips. As tentativas agora em curso de reconstruir o predomínio dos EUA mediante reformas na arquitetura do vínculo entre as finanças nacionais e globais parece que não está funcionando. Ao mesmo tempo, as exclusões impostas às tentativas da maior parte do resto do mundo de reconfigurar essa arquitetura provocarão com quase total segurança fortes tensões, quando não conflitos econômicos abertos. Porém, derivas tectônicas desse tipo não se produzem magicamente. Ainda que a geografia histórica de uma deriva de hegemonia, segundo a descreve Arrighi, manifeste uma clara pauta, e ainda que a história tenha deixado claro que essas derivas vêm sempre precedidas de períodos de financeirização, Arrighi não oferece uma análise profunda dos processos geradores dessas derivas. É verdade que menciona a “acumulação sem trégua”, e por conseguinte, a síndrome do crescimento (a regra de 3% do crescimento composto) como elementos críticos explicativos da deriva. Isso implica que a hegemonia se desloca com o curso do tempo, de entidades políticas pequenas (isto é, Veneza) a outras maiores (por exemplo, os EUA). Também argüi que a hegemonia tem que radicar naquela entidade política que produz o grosso do excedente (ou para a qual flui o grosso do excedente em forma de tributos ou exações imperialistas). De um produto global em torno de 45 trilhões de dólares em 2005, os EUA participam com 15 trilhões, o que o converte, por assim dizer, no principal acionista que domina e controla o capitalismo global, com capacidade para ditar (como é o caso de fazer em seu papel de acionista em chefe nas instituições internacionais como o Banco Mundial e o FMI) as políticas globais. O informe do NCIS baseia parte de suas previsões na perda do predomínio paralela à manutenção de uma posição robusta na minguante participação no produto global dos EUA em relação ao resto do mundo, em geral e a China, em particular.Contudo, como o próprio Arrighi assinala, o curso político dessa deriva está muito longe de ser claro. A aposta dos EUA pela hegemonia global sob Woodrow Wilson durante e imediatamente depois da Primeira Guerra Mundial viu-se obstaculizada pelas preferências isolacionistas prevalecentes na tradição política nacional norte-americana (daí o colapso da Liga das Nações), e só depois da Segunda Guerra Mundial (na qual a população norte-americana não queria entrar, até que ocorreu Pearl Harbour) os EUA se liberou ao seu papel de hegemon global mediante uma política exterior bipartidarista, ancorada nos Acordos de Bretton Woods, que estabeleceram a forma de organizar a ordem internacional do pós-guerra (frente à Guerra Fria e à ameaça que um comunismo internacional em plena onda de propagação representava para o capitalismo). Que os EUA vinham se desenvolvendo inveteradamente como um estado capaz em princípio de cumprir um papel de hegemon global tornou-se evidente desde os primeiros dias de sua caminhada como nação. Estavam preparados com as doutrinas oportunas, como a do “Destino Manifesto” (expansão geográfica em escala continental, eventualmente até o Pacífico e o Caribe, antes de tornar-se global, sem necessidade de conquistas territoriais) ou a Doutrina Monroe, que exigia das potências européias que deixassem em paz as Américas (a doutrina foi na realidade formulada pelo ministro britânico do exterior, Canning, na década de 20 do século XIX, e foi quase imediatamente seguida pelos EUA). Os EUA possuíam o dinamismo necessário para aspirar a uma crescente participação no produto global, e estiveram visceralmente comprometidos com uma ou outra versão do que se pode qualificar de maneira mais feliz como “mercado encurralado” ou capitalismo “monopólico”, sustentado por uma ideologia apologética do individualismo mais descarnado. De modo, pois, que há um sentido no qual se pode dizer que os EUA vinham se preparando, durante a maior parte de sua história, para o papel de hegemon global. A única coisa surpreendente nisso é o tempo que levou para cumprir esse projeto, e que foi a Segunda Guerra, não a Primeira, a ocasião que os levou finalmente a jogar esse papel, permitindo que os anos do entre-guerras fossem tempos de multipolaridade e competição caótica entre ambições imperiais, como as que agora teme vislumbrar o informe do NCIS para 2025. As derivas tectônicas agora em curso estão, contudo, profundamente influenciadas pela desigualdade geográfica radical nas possibilidades econômicas e políticas de responder à crise atual. Permitam-me ilustrar o modo como hoje se opera essa desigualdade pela via de um exemplo bastante plástico.À medida que a crise iniciada em 2007 foi se aprofundando, muitos tomaram o partido de uma solução plenamente keynesiana como a única capaz de tirar o capitalismo global do desastre em que está agora metido. Com este objetivo, propuseram-se uma variedade de pacotes de estímulos e medidas de estabilização bancária. Muitas dessas propostas foram até certo ponto postas em prática em vários países e de maneiras diferentes, na esperança de fazer frente às dificuldades crescentes. O espectro de soluções oferecidas variava imensamente segundo as circunstâncias econômicas e os perfis imperantes na opinião pública (colocando, por exemplo, a Alemanha frente a França e a Grã Bretanha na União Européia).Mas pensemos, por exemplo, nas distintas possibilidades econômico-políticas abertas aos EUA e para a China e nas conseqüências potenciais tanto para a deriva da hegemonia como para o modo possível de resolver a crise. China, EUA e as soluções keynesianasNos EUA, qualquer tentativa de falar de uma solução keynesiana adequada tem sido condenada na partida, levantando-se barreiras econômicas e políticas praticamente impossíveis de derrubar. Para funcionar, uma solução keynesiana precisaria de financiamento massivo e duradouro, com déficit. Tem-se dito com razão que o intento de Roosevelt de regressar a um orçamento equilibrado em 1837-38 é o que voltou a afundar os EUA na depressão e que foi a Segunda Guerra que salvou a situação, e não o temerário projeto rooseveltiano de financiamento com déficit que foi o New Deal. Assim, pois, mesmo que as reformas institucionais e umas políticas mais igualitárias tenham posto os fundamentos da recuperação que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, o New Deal como tal fracassou a ponto de resolver a crise nos EUA. O problema para os EUA em 2008-09 é que parte de uma posição de endividamento crônico com o resto do mundo (vem tomando empréstimos a um ritmo de mais de 2 milhões de dólares por dia nos últimos dez ou mais anos), e isso significa uma limitação econômica para as dimensões do déficit extra que agora pode permitir-se. (O que não foi um problema sério para Roosevelt, que começou com um orçamento limitado). Há também uma limitação geopolítica, posto que o financiamento de qualquer déficit extra depende da disposição de outras potências (principalmente do leste asiático e dos Estados do Golfo) em emprestar. Tendo em conta ambas as limitações, há que se tomar por certo que o estímulo econômico factível nos EUA não será nem o bastante amplo nem o bastante duradouro para subvencionar a tarefa de reabilitar a economia. Este problema é exacerbado pela relutância ideológica de ambos os partidos em aceitar os enormes montantes de gasto deficitário requeridos para sair da crise.Ironicamente, e ao menos em parte, porque a administração republicana anterior trabalhou de acordo com o princípio de Dick Cheney, segundo o qual “Reagan nos ensinou que os déficits não importam”. Como disse Paul Krugman, o primeiro advogado público de uma solução keynesiana desse contexto, os 800 bilhões de dólares votados com dentes arreganhados pelo Congresso em 2009, ainda que sejam melhores do que nada, estão muito longe de serem suficientes. Seria preciso uma cifra da ordem dos 2 trilhões de dólares, uma quantidade excessiva dado o nível atual do déficit estadunidense. A única opção econômica possível seria mudar o débil keynesianismo dos gastos militares excessivos por um keynesianismo muito mais forte, voltado a programas sociais. Cortar pela metade o orçamento de defesa norte-americano (aproximando-o dos níveis europeus em termos percentuais ao PIB) poderia resultar tecnicamente útil. É o caso de dizê-lo: quem quer que proponha coisa semelhante cometerá suicídio político, dada a posição política mantida pelo Partido Republicano e por muitos democratas. A segunda barreira a ser derrubada é mais puramente política. Para funcionar, o estímulo tem de ser administrado de tal forma que se assegure seu gasto em bens e em serviços para que a economia recupere alegria. Isso significa que há que dirigir todas as ajudas a quem efetivamente delas fará uso e gastará recursos, quer dizer, as classes sociais mais humildes, porque as classes médias, postas a gastar algo, o mais provável é que o façam puxando a alça de valores de ativos (comprando casas hipotecadas que são executadas em leilões, por exemplo), e não comprando mais bens e serviços. Em todo caso, nos maus tempos muita gente tende a usar as receitas extraordinárias inopinadamente recebidos para cancelar dívidas ou para poupar (como ocorreu em muito boa medida com o reembolso de 600 dólares propiciado pela administração Bush no começo do verão de 2008).O que parece prudente e racional desde o ponto de vista do orçamento doméstico se torna danoso para o conjunto da economia. (Analogamente: os bancos tem procedido racionalmente ao servirem-se do dinheiro público recebido para enriquecerem ou para comprar ativos, antes que para emprestá-los). A hostilidade preponderante nos EUA a “disseminar a riqueza” e a gestionar qualquer ajuda pública que não sejam os cortes fiscais aos indivíduos vem do núcleo duro da doutrina ideológica neoliberal (focalizada, mas de modo algum confinada no Partido Republicano), segundo a qual “os lares sabem mais”. Essas doutrinas chegaram a gozar de ampla aceitação nos EUA, como se se tratasse de um evangelho, durante trinta anos de doutrinamento político neoliberal. Segundo se arguiu em outra ocasião, “agora, somos todos neoliberais”, no mais das vezes sem sabê-lo. Há uma aceitação tácita, por exemplo, de que a “repressão salarial” - um componente chave do atual problema – é um “estado normal” das coisas nos EUA. Uma das três patas de uma solução keynesiana – maior capacidade de negociação dos trabalhadores, salários em alta e redistribuição favorável para as classes baixas – é atualmente impossível do ponto de vista político nos EUA. A pura sugestão de que um programa assim equivalha a “socialismo” faz o establishment político tremer. Os trabalhadores organizados não são suficientemente fortes (depois de serem durante trinta anos massacrados pelas forças políticas), e não se vê nenhum outro movimento social amplo o bastante para pressionar por uma redistribuição a favor das classes trabalhadoras. Outro modo de alcançar objetivos keynesianos é o fornecimento de bens coletivos. Isso, tradicionalmente, tem implicado investimentos em infraestrutura física e social (os programas WPA [Works Progress Adminstration] dos anos 30 do século passado foram um precedente). Disso se segue a tentativa de incluir nos pacotes de estímulo programas para reconstruir e ampliar infraestruturas públicas de transporte e comunicações, energia e outras obras públicas em paralelo a um incremento do gasto em atenção sanitária, educação, serviços municipais, etc. Esses bens coletivos têm potencial para gerar multiplicadores tanto no emprego como na demanda efetiva de bens e serviços. Mas o que se presume é que esses bens entrariam, em dado momento, na categoria de “gastos públicos produtivos” (quer dizer, que estimulam um crescimento ulterior), não que se convertam numa série de “elefantes brancos” públicos que, como observou Keynes em seus dias, carecem de outra utilidade que não aquela de fazer as pessoas cavarem buracos para fechá-los logo em seguida.Em outras palavras, uma estratégia de investimentos em infraestrutura tem de orientar-se para a sistemática recuperação do crescimento de 3% através do metódico redesenho de nossa infraestrutura e dos nossos modos de vida urbanos. Isso não pode funcionar sem uma planificação estatal refinada, aliada a uma base produtiva já existente que possa aproveitar-se das novas infraestruturas. Também aqui, o processo dilatado de desindustrialização experimentado pelos EUA nas últimas décadas, assim como a intensa oposição ideológica à planificação estatal (elementos esses incorporados por Roosevelt ao New Deal, e que persistiram até os anos 60, para serem abandonados quando do assalto neoliberal dos 80 a esse particular exercício de poder do Estado) e a óbvia preferência pelos cortes fiscais frente às transformações públicas das infraestruturas, torna impossível nos EUA a operação de uma solução permanente. Na China, por outro lado, dão-se realmente tanto as condições políticas como as econômicas para uma solução plenamente keynesiana, e há ali signos transbordantes de que essa será provavelmente a via a ser seguida. Para começar, a China possui uma grande reserva de excedente estrangeiro em dinheiro e isso torna mais fácil o financiamento da dívida partindo dessa base do que de um dos gastos da dívida já acumulada, como no caso dos EUA. Vale à pena notar também que desde meados dos 90 os “ativos tóxicos” (os empréstimos que não funcionam) dos bancos chineses – (algumas estimativas os situam nos 40% de todos os empréstimos em 2000) desapareceram da contabilidade bancária a mercê dos investimentos ocasionais de excedente em dinheiro procedente das reservas do comércio exterior.Os chineses tiveram em funcionamento durante muito tempo o equivalente a um programa TARP [o programa norte-americano de resgate bancário posto em prática nos últimos meses de 2008], e evidentemente sabem como manejá-lo (ainda que muitas das transações tenham a marca da corrupção). Os chineses têm suficiente capacidade econômica para embarcarem num programa massivo de financiamento com déficit e dispõem de uma arquitetura financeira estatal centralizada apta, se lhe propuserem, a administrar esse programa com eficácia. Os bancos, durante muito tempo de propriedade estatal, que foram privatizados para atender às exigências da OMC (Organização Mundial do Comércio) podem vir a atrair capital e perícia estrangeiros, mas podem todavia serem facilmente submetidos à vontade do estado central, enquanto que nos EUA mesmo o mais longínquo signo de diretriz estatal, para não falar de nacionalização, dá motivo a todos os tipos de furores políticos. Analogamente, não há ali [China] a menor barreira ideológica para uma generosa redistribuição de recursos a favor dos setores mais necessitados da sociedade, ainda que possa haver necessidade de vencer os encouraçados interesses dos membros mais ricos do partido e de uma incipiente classe capitalista. A imputação segundo a qual isso seria tanto como o “socialismo”, ou inclusive até pior, o “comunismo”, apenas despertaria sorrisos divertidos na China. Mas a reaparição na China do desemprego em massa (de acordo com os últimos informes, a desaceleração dos últimos meses já teria gerado já 20 milhões de desempregados), assim como os indícios de um mal-estar social prolongado e aceleradamente crescente, forçarão seguramente o Partido Comunista chinês a empreender massivas redistribuições, estejam ou não ideologicamente convencidos da sua justiça.No começo de 2009, essa política redistributiva parece primeiramente destinada às regiões rurais atrasadas, para onde regressaram os trabalhadores emigrantes que perderam seus empregos, frustrados com a constatação da escassez de postos de trabalho nas zonas manufatureiras. Nessas regiões, nas que faltam infraestrutura social e física, um investimento robusto de recursos por parte do governo central contribuirá para aumentar as receitas, para expandir a demanda efetiva e para dar o tiro de saída do longo processo de consolidação do mercado interno chinês. Em segundo lugar, há um forte desejo de investir massivamente em infraestrutura que ainda falta na China. - Em troca, os cortes fiscais só tem ali atrativos políticos – e ainda que seja possível que alguns desses investimentos terminem sendo “elefantes brancos”, a probabilidade de que seja assim ali é farta mas baixa, dada a imensa quantidade de trabalho de que se necessita para integrar o espaço nacional chinês e, assim, enfrentar-se o problema do desenvolvimento geográfico desigual entre as regiões costeiras de alto desenvolvimento e as províncias empobrecidas do interior.A existência de uma larga – ainda que problemática – base industrial e manufatureira necessitada de racionalização espacial torna mais provável que o esforço chinês entre na categoria do gasto público produtivo. No caso chinês boa parte do excedente pode ser canalizado até a produção futura de espaço, e isso mesmo admitindo que a especulação nos mercados imobiliários urbanos em cidades como Xangai, ou mesmo nos EUA, é parte do problema e não pode, por conseguinte, converter-se em parte da solução. Os gastos em infraestrutura, sempre que sejam feitos numa escala suficientemente grande, são de grande alento e servem tanto para canalizar o trabalho excedente como para reduzir as possibilidades de distúrbios sociais, contribuindo também, ademais, para impulsionar o comércio interno. Implicações internacionaisEssas possibilidades completamente distintas que os EUA e a China têm de propiciarem uma solução plenamente keynesiana guardam profundas implicações internacionais. Se a China emprega mais recursos procedentes de suas reservas financeiras para impulsionar seu mercado interno, como com quase total segurança vai se ver forçada a fazer por razões políticas, deixará menos recursos disponíveis para possíveis empréstimos aos EUA. O descenso das compras de bônus do tesouro estadunidense terminará por forçar uns tipos de interesses mais altos, o que incidirá negativamente na demanda interna norte-americana, a qual, por sua vez e a menos que haja uma gestão meticulosa, poderia disparar o que todo mundo teme e que até agora conseguiu evitar: uma derrubada do dólar.Uma desvinculação paulatina dos mercados norte-americanos e a sua progressiva substituição pelo próprio mercado interno como fonte de demanda efetiva da indústria chinesa alterariam significativamente os equilíbrios de poder (um processo que, diga-se de passagem, estaria carregado de tensões, tanto para a China como para os EUA). A divisa chinesa se robustecerá necessariamente frente ao dólar (uma situação tão largamente pretendida como temida pelas autoridades norte-americanas), o que obrigará aos chineses a se basearem mais em seu mercado interno para a demanda agregada. O dinamismo que disso resultaria no interior da China (contrastável com as condições de recessão duradoura que prevalecerão nos EUA) atrairá mais produções de matérias primas à órbita comercial chinesa e corroerá a importância relativa dos EUA no comércio internacional. O efeito global de tudo isso será a aceleração do deslocamento da riqueza, do oeste para o leste, na economia mundial e a rápida alteração dos equilíbrios de poder econômico hegemônico. O movimento tectônico que operará o equilíbrio do poder capitalista global intensificará todo tipo de ramificações econômicas e políticas imprevisíveis num mundo em que os EUA deixarão de estar numa posição dominante, mesmo que sigam mantendo um poder importante. A suprema ironia, deve-se dizê-lo, é que as barreiras políticas e ideológicas postas nos EUA a qualquer programa plenamente keynesiano contribuirão seguramente para acelerar a derrubada do poder americano nos assuntos globais, apesar de que as elites de todo o mundo (inclusive as chinesas) preferissem preservar esse domínio o maior tempo possível. Que um genuíno keynesianismo seja ou não suficiente para que a China (junto a outros estados em posição similar) consiga compensar o fracasso inevitável do keynesianismo reticente ocidental é questão em todo caso aberta. Mas essas diferenças, somadas ao eclipse da hegemonia norte-americana, bem poderiam ser o prelúdio de uma fragmentação da economia global em estruturas hegemônicas regionais que poderiam terminar lutando tanto entre si com tanta facilidade como colaborando na questão miserável de dirimir quem tem de arcar com os estragos da depressão duradoura.Esta não é uma idéia exatamente alentadora, mas ter em mente a possibilidade de uma perspectiva desse tipo poderia talvez contribuir para despertar boa parte do mundo ocidental para a apercepção da urgência da tarefa que tem diante de si; que seus dirigentes políticos deixem de dizer banalidades sobre restaurar a confiança se ponham a fazer o que há a ser feito para resgatar o capitalismo dos capitalistas e de sua falsária ideologia neoliberal. E sim, isso significa socialismo, nacionalizações, diretrizes estatais robustas, força de colaborações internacionais e uma nova e farta, mas inclusiva (“democrática”, se posso ousar a dizê-lo assim) arquitetura financeira internacional, pois que assim seja...David Harvey é geógrafo, sociólogo urbano e historiador social marxista. É professor da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY) e autor de vários livros e artigos, dentre os quais se destaca "A Produção Capitalista do Espaço", publicado no Brasil pela Annablume Editora. Vem dando seminários sobre O Capital, de Karl Marx, há 40 anos.
Mantém esta página
http://www.davidharvey.org/

Tradução: Katarina Peixoto

Quem descobriu o Brasil primeiro ?


Galera, como diria Tia Maria de Lourdes suahsuahusahus a



Só pra vcs verem o link e construirem seu prórprio pensamento sobre as grandes navegações e o eurocentrismo.



abraço , ainvestigação continua












domingo, 25 de janeiro de 2009

Racismo um caso a se pensar ou a se estudar ?

Consciencia racial - racismo as avessas?






Hoje é manhã de carnaval (ao esplendor)

As escolas vão desfilar (bravosamente)

E aquela gente de corCom a imponência de um reiVai pisar na passarela (salve a portela)

Vamos esquecer os desenganos (que passamos)

E ver alegria que sonhamos (durante o ano)

E damos o nosso coraçãoAlegria e amor a todos sem distinção de corMas depois da ilusão, coitado!

Negro volta ao humilde barracão

Negro acorda é hora de acordar

Não negue a raça

Torne toda manhã dia de graça

Negro não humilhe nem se humilhe à ninguém

Todas as raças já foram escravas também

E deixe de ser rei só na folia

E faça de sua Maria uma rainha de todos os dias

E cante samba na universidade

E verá que seu filho será Príncipe de verdade

Aí então, jamais tu voltarás ao barracão






































terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Gabriel O pensador - Até Quando

Troca de tom:
-1 tom
-½ tom
+½ tom
+1 tom

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2(E)

Não adianta olhar pro céu, com muita fé e pouca luta.

Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer

e muita greve, você pode, você deve, pode crer.

Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver.

Se liga aí que te botaram numa cruz e

Só porque Jesus sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer.
(E G D A)
Até quando você vai ficar usando rédea?

Rindo da própria tragédia?

Até quando você vai ficar usando rédea? (Pobre, rico, ou classe média).

Até quando você vai levar cascudo mudo?

Muda, muda essa postura.

Até quando você vai ficando mudo?

Muda que o medo é um modo de fazer censura.
REFRãO 2x
(E G D A)

Até quando você vai levando?_(Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(E G D A)

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente,
seu filho sem escola, seu velho ta sem dente.
Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante,
você ta sem emprego e a sua filha ta gestante.
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo,
você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!
REFRãO 2x
(E G D A)

Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(EE G D A)

Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(E G D A)

A polícia só existe pra manter você na lei,
lei do silêncio, lei do mais fraco:
ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco.
A programação existe pra manter você na frente,
na frente da TV, que é pra te entreter, que é
pra você não ver que o porgramado é você.

E

Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.
G
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.
B
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar.
D
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.
E
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.
G
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.
B
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
D
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.
E G
Escola, esmola! Favela, cadeia!
D
Sem terra, enterra!
A
Sem renda, se renda! Não! Não!!
REFRãO 2x
(E G D A)

Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai fica sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada!_Porrada!)
Até quando vai ser saco de pancada?
(E G D A)

Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.
Na mudança de postura a gente fica mais seguro,
na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando você vai levando?

E
G
D
A
B
video

A corrente socialista da pedagogia MARX e GRAMSCI

Galera esse é um resumo da proposta socialista da educação, com enfoque em Marx e Gramsci, esse resumo se tornara um artigo com 4 páginas para o grupo de estudos.








A corrente de pensamento pedagógico socialista formou-se no meio do movimento popular pela democratização do ensino, e tem como principal característica a oposição à educação burguesa através da igualdade educacional e a crítica das relações sociais. A proposta da educação socialista perpassa por vários autores, mas nesse estudo destacaremos dois autores que, antes de tratarem à educação tratam de política e economia, e acreditam que a educação corresponda aos interesses político-economicos da ideologia dominante, ou seja, a ideologia do capital, da burguesia, que são Karl Marx e Antonio Gramisci.

Características da educação socialista por Marx, descritas soltas e várias obras.

1. Eliminação do trabalho da criança na fabrica

2. Associação da educação com a produção material

3. formação politécnica, onde agrupa-se o físico, o mental e a técnica, dessa forma o trabalho aparece com sentido antropológico educacional de vital importância para a formação de um individuo como um cidadão responsável.

4. Inseparabilidade da educação e da política, e por tanto da articulação entre trabalho, estudo e lazer.

Marx trás ainda 3 concepções sobre a educação:

1. Educação intelectual

2. Educação corporal

3. Educação tecnológica

Vemos essas características descritas na frase de Lênin sobre a educação pública e apolítica. “ nosso trabalho no terreno do ensino é a mesma luta para derrotar a burguesia, declaramos publicamente que, a escola á margem da vida, à margem da política, é falsidade e hipocrisia.”
Ainda a proposta socialista prevê uma escola totalmente democrática, onde a figura do professor apareceria como conselheiro, perante a estrutura educacional, os problemas seriam resolvidos a partir de conselhos realizados com os alunos, assim como decisões para a escola. A corrente acredita ainda na formação de um novo intelectual, baseado na relação trabalho-técnica-ciência a partir de uma concepção histórico humanista, com a valorização do trabalho no sentido coletivo, ainda leva-se em conta uma educação ligada a liberdade e a ruptura com alienação, num processo vagaroso onde a classe operária suprimiria a concepção das outras classes e para isso a escola teria que estar aliada ao sindicato.
A educação socialista vai além do descrito acima, pois propõe a ruptura com o mestre como educador autoritário, o estar na sala de aula e ainda a realidade como instrumento de aprendizagem e não as matérias especialistas, acreditando na generalidade como aspecto para melhor formação do individuo coletivo.
Gramsci não diverge de Marx em suas idéias relacionadas a educação, acredita fielmente que a educação é a junção de três segmentos principais, a educação mental, a educação profissional e a educação corporal, dessa forma o sujeito estaria pronto para conviver me sociedade, pautado na solidariedade e no trabalho, no apreço ao ser humano, ao coletivo. Ele acredita ainda na universalização do ensino, assim como na extinção das escolas particulares, e na igualdade educacional, ou seja, na igualdade de oportunidades.
Diferente de Marx Gramsci acredita que a mudança cultural, educacional ocorreria primeiro antes da revolução do proletariado, já Marx acredita que o processo deve ocorrer em conjunto.





Abraço galera espero que esse resumo tenha aberto um pouco a mente de vocês para a proposta socialista de ensino, continuaremos publicando resumos sobre cada escola pedagógica numa série de uma semana de publicações para estudos preparatórios para consursos públicos para cursos de lisensiatura plena em Geografia.




fiquem com Deus!!!!!! e estudem !!!!!!!!